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Outro Sentido

Outro Sentido

Gritar

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Não creio que a indiferença seja a reacção generalizada como tantos apregoam, não creio que alguém saia incólume da experiência visual destas imagens. Alguns poderão, talvez, olha-las, senti-las e arruma-las quase instantaneamente num qualquer arquivo que já nem tem data, mas que agrupa sofrimentos anónimos que ultrapassam o credível. Vemos a nossa humanidade rasgada, esmurrada, espezinhada em dor e humilhação. Vemos a lama indizível do mundo que somos nós e outros que chafurdam nela, bracejam à procura de ar, trazem lágrimas sujas e nódoas negras que estão por dentro, carregam violências que nós, de cadeira, nem sonhamos, nem pensamos, nem queremos acreditar que acontecem, lá, nas terras de onde eles vêm para mendigar as migalhas debaixo da nossa mesa. 

Alguns de nós acrescentarão uma oração ao dia, outros gritarão a sua repulsa e indignação onde podem, quando podem, sempre que podem, outros ainda - poucos, tão poucos - sentem a vergonha humana numa convulsão horrenda entre o coração e o vómito e vão, simplesmente, fazem as malas e vão, para lá, onde a lama sobrelotada de gente sem terra precisa de gente que faça o que é preciso - e é preciso tudo.

Não há indiferença, isso é falso, há indignação impotente e há o despertador no dia seguinte e a vida dos dias, e a mais humana incapacidade de sentir, abarcar e aguentar dentro de cada um de nós, todos os sofrimentos incógnitos que nos entram pela retina adentro e são muitos, demasiados.

Choro a cada telejornal que vejo, fecho os olhos, arrepanho as mãos, abano a cabeça em negação impossível, rezo, desfaço-me em nojo e praguejo a revolta. Olho para aquela gente que podia ser eu, que podiam ser os meus. Que faria eu no lugar deles? Chorava, caía no lodo, gritava, forçava o arame farpado, forçava o escudo do polícia à minha frente, sofria pelos meus e tentava protege-los a qualquer custo.

Quando verdadeiramente transfiguramos o sofrimento alheio, fazendo-o nosso, quando nos colocamos lá, no meio daquele sufoco de multidão que se empurra e é empurrada, que se afoga, que morre à fome, que atravessa países e desertos e guerras e ameaças e monstros que têm cara de homens, o horror que já o era, assume contornos de holocausto pessoal. Ninguém fica indiferente a isto.

Por isso há que gritar, repetidamente, gritar alto e bom som, gritar até que nos ouçam e, quando nos couber a nós abrir fronteiras, quando nos couber a nós dar tecto e dar trabalho e comida a estes tantos que sofreram para cá chegar, quando for a nossa vez de os fazer vizinhos na porta ao lado, saibamos nós ter olhos para eles, não de comiseração, mas de digna igualdade e aí, não me venham com merdas porque a humanidade não tem nação.

Cenas da vida (de) doméstica

Hoje fui fazer as compras da semana e pediram-me dez cêntimos pelos sacos de plástico. Tentei controlar a irritação emocional com o sentido ecológico que em mim habita e enfiei um robalo, uma dourada e um linguado, cada um deles, num saco de plástico da secção das frutas e legumes porque estes são legais e à borla. Depois, gastei cinquenta cêntimos num saco grande e resistente do qual me irei esquecer de cada vez que voltar às compras.

 

Jews and arabs refuse to be enemies

É a página de Facebook do momento e dá voz a uma campanha criada por Abraham Gutman, estudante israelita a viver em Nova Iorque, e por uma amiga síria, Dania Darwish.A página já tem mais de dezasseis mil seguidores e partilha fotografias de árabes e judeus que destacam o carácter humanitário do conflito, usando a “hashtag” #jewsandarabsrefusetobeenemies.

 

Assinar, divulgar, não deixar cair no esquecimento é o pouco que podemos fazer.

Meriam Yehya Ibrahim, a cristã ortodoxa condenada à morte no Sudão, deu hoje à luz no corredor da morte, onde passou os últimos meses acorrentada. Na véspera os seus advogados tinham interposto recurso à sentença que lhe fora pronunciada pelo “crime” de apostasia.
Mais de meio milhão de pessoas em todo o mundo fizeram-se já ouvir em defesa de #Meriam, assinando a petição da Amnistia Internacional que insta à sua libertação imediata e incondicional. Mas é preciso manter a pressão sobre as autoridades sudanesas! Aqui fica o apelo da Amnistia Internacional para assinar a petição: http://bit.ly/Meriam_Ibrahim

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