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Outro Sentido

Outro Sentido

Geografias

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A importância de termos lugares bons que nos salvam, não importa se são lugares mesmo, feitos de espaço e com localização no mapa; geografias há muitas e aquelas do coração podem levar-nos a caminhos de consolo tremendo. Há pessoas que são lugares, os melhores lugares da nossa história, voltar a elas é mergulhar em sorrisos íntimos de conforto, abraços que se dão para lá da ausência, estão sempre lá, mesmo quando já não estão. Voltamos a esses lugares porque sim, porque não, porque nim. São lugares cativos e são sempre os melhores, porque a partir deles vemos tudo e guardamos essa paisagem em fotogramas mentais a que voltamos mais tarde, num rewind de coisas boas. É assim uma espécie de cinematografia pessoal, com realização espontânea que tende a guardar instantes que até pareceram banais no momento em que os vivemos, mas que depois, vistos da plateia dos anos, são raros, espantosos, densos, saltam com uma banda sonora em crescendo e um close up de detalhes que nos surpreendem na nossa capacidade de memória.

 

2017 Take off

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Ir ao ginásio de manhã. Arranjar as mãos uma vez por semana. Ter mais do que um iogurte no frigorífico. Beber dois litros de água por dia. Sair do escritório às sete. Entrar no escritório às dez. Ligar às amigas. Dormir uma sesta. Aprender a dizer não.

Não revirar os olhos quando o telefone toca. Pintar o cabelo. Fazer uma viagem por ano - ir aos Açores não conta como viagem, é pilar de felicidade. Não ter vontade de transformar em estátua de sal quem faz conversa de circunstância que não interessa nem ao menino Jesus. Rezar mais ao menino Jesus. Fazer tricot. Não cair em colapsos de insegurança se não foste o melhor que idealizaste. Tentar sempre ser o melhor que consegues. Estudar mais. Aprender a dizer não.

Fazer depilação definitiva. Aceitar o que não és. Gostar do que és. Ir para fora cá dentro. Ler os clássicos. Ler os modernos. Ir a museus. Procurar música nova para ouvir. Lavar o carro. Dormir sem Angelicalm. Definir o que é realmente urgente e dar resposta em verdadeira conformidade. Não testar limites. Fazer o passaporte com um propósito. Usar as escadas e não o elevador - são dois andares, caramba. Duas aulas de pilates por semana. Musculação. Cardio. Telefonar à mãe.

Não carregar a culpa do mundo. Fazer um puzzle. Escrever mais. Lacar as madeiras da casa e pintar as paredes. Arrancar os quadros e reordena-los. Só pôr o pé na balança uma vez por mês. Não pensar que a vida está a meio e desligar o tic tac na cabeça. Parar de olhar para trás e aceitar. Cortar no chocolate. Beber mais vinho. Cozinhar. Telefonar à mãe.

Dançar. Rir de coisas parvas até doer a barriga. Ir mais ao teatro. Fotografar. Ter flores em casa. Ir ao Mercado aos sábados de manhã. Voltar a nadar. Comprar creme de contorno dos olhos. Usar batom vermelho. Perdoar-te. Perceber que, na maioria das vezes, a malta hipócrita é só insegura. Não desprezar a malta hipócrita, reduzindo-a a pó.  Aprender uma coisa nova. Tomar a vacina da gripe. Desligar o ar condicionado. Lembrar aniversários. Retomar as temporadas da Companhia Nacional de Bailado. Fazer um PPR. Dar tempo aos teus. Compensar os dias. Aprender a dizer não.

Manifesto pessoal.

Uma tarte de cogumelos, uma tarte de tomate com oregãos, um frango de caril, filetes com arroz de tomate, feijoada de chocos, frango com coentros, lulas à americana, coelho na púcara, legumes gratinados, sopa de ervilhas com coentros. Isto deve arrumar uma semana de refeições sem que eu tenha de agarrar numa colher de pau. Valha-me essa grande invenção que é o pronto a comer caseiro e que me livrou dos grilhões da cozinha. Há muito que perdi o ânimo culinário que alimentou o meu passado de mulher casada. Aí, qual sonho do lar, eu cozinhava favas à portuguesa, arroz de pato e alcatra à moda terceira enquanto o diabo esfrega um olho. Hoje, tenho de mentalizar-me para fazer sopa na Bimby ou, como diz o meu pai, "estragaste-te toda". A verdade, porém, é que nesta existência maculada pela inexperiência culinária e a mais completa falta de interesse em tal, sou infinitamente mais feliz - enquanto o puder ser -, e isto de ter duas casas de bom pronto a comer nas redondezas, foi dos milagres genuínos que me aconteceram na vida.

Vivam as ligeirezas mundanas que nos facilitam os dias e que são variadas e assumem muitas formas - viva o Angelicalm, viva o Sinutab, viva a opção do MEO que permite gravar séries e revê-las em dose contínua ao fim de semana de manhã, viva o serviço de homebanking, via a engomadoria que se instalou no prédio ao lado, viva o jantar à segunda feira em casa da mãe, viva o continente online, viva o spotify, viva o instagram, viva o botão de silenciar o telemóvel (mega viva), viva o alerta de aniversários do Facebook, viva os jornais online, viva a wook, viva o chocolate Lindt flor de sal, viva tardes de chuva em casa e viva o dia em que decidi ter um tapete amarelo na sala - sim amarelo -, viva as gargalhadas entre amigos e os disparates via whatsapp.

É que isto de cá andar não fica mais fácil com os anos e se vos impingiram essa tanga, aviso já que é mesmo isso - uma grande tanga -, mas se formos construindo o nosso kit de primeiros socorros, isto fica bem melhor.

Cada qual procura o seu, há quem recorra ao jogging, a um copo de bom tinto ao final do dia, a um xanax na mala, a música a bombar a caminho de casa, aula de bike, aula kick boxing, aula de zumba, aula de yoga, tricot, crochet, puzzle, costura, bicicleta, prancha de surf, há até, pasme-se, quem se enfie na cozinha feliz e contente a cozinhar para um batalhão.

Eu cá, enfiei nove refeições feitas no congelador e respirei logo muito melhor.

A idade da indecência

 

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Eu agora faço análise, assim mesmo, como as brasileiras, que soa muito melhor: eu faço análise e aulas de pilates à hora do almoço. A minha mãe nunca fez análise e ainda criou dois filhos, mas eu não sou, definitivamente, a minha mãe.

Eu ando para aqui a atirar pedaços de vida ao ar e a tentar agarra-los ao mesmo tempo, como uma uma malabarista maltrapilha, em cima de uma corda muito bamba, pendurada lá no alto desse circo que é a vida. Tenho um show diário em horário fixo, das oito às oito, e a coisa não tem corrido mal, raramente deixo cair uma bola ao chão e, nas raras ocasiões em que isso acontece, eu vou lá apanha-la, com um pé, graciosa, super difícil, super show, parece que faz parte do número.

Lá de cima, na minha corda, eu vejo tudo - o antes, o agora e o depois (como o Caetano) - e o meu circo está muito diferente.

O antes era bom, era a idade da inocência em que eu resolvia tudo com chocolate e uma pista de dança. Nesse tempo, para aplacar as minhas angustias, o meu pai tentatava ensinar-me que a vida era feita de "setenta por cento de chatices e de trinta por cento de coisas boas", e que o importante era aprender com as primeiras e aproveitar as segundas. Para compensar, houve um dia que ele regressou de viagem com um Toblerone de meio quilo debaixo do braço; eu comi-o numa tarde e fiquei feliz por uns dias. O chocolate era como os pozinhos de perlimpimpim, tornava tudo mais doce e, quando o chocolate não chegava, a pista de dança resolvia. Na idade da inocência era fácil deslindar a vida e, no dia seguinte, o mundo acordava, igual a ele mesmo, a girar sobre o seu eixo, sossegadito, pelo menos, na extensão tranquilizadora do meu País e respectiva vizinhança.

Agora já não é assim, eu acordo de manhã e acho que o mundo perdeu o seu eixo - é que acho mesmo -, há dois dias a lua estava enorme e isso não pode ser coisa boa. Anda tudo a respirar o sobressalto do abismo - numa manhã o mundo está uma coisa e, na manhã seguinte, está outra oposta. O planeta está de pernas para o ar e o meu circo também, o que não é nada auspicioso para quem anda lá nas alturas, a equilibrar os pés numa corda agitada com ansiedades, desafios, cautelas, preocupações, ordenados para pagar, impostos para gerir, prazos para cumprir, gente que eu não entendo, egos que eu não suporto, trânsito, poluição, desencanto, sarilhos, irritações, falta de sono, dores nas costas, nos joelhos, na barriga.

Meu circo está diferente e eu tornei-me mais cautelosa. Agora, tenho uma rede enorme a flutuar debaixo dos pés, não vá o diabo tecê-las. Nessa rede, eu pus a família, a fé, as amigas, os livros, o mar, uma caixa de Angelicalm e uma tirinha de Diazepan, o voluntariado, a minha casa, as minhas plantas, o meu Moleskine, as aulas de pilates e sessões de análise (olha o Brasiu).  É isso que me salva da insanidade, é aí que eu encontro os pontos cardeais que me orientam e se cair, eu caio nessa rede, mesmo que o circo venha todo atrás.

Estou nessa idade, na velha infância que perdeu a inocência mas que vive na indecência generalizada.

O meu pai nunca mais me ofereceu um Toblerone, o que está mal; o chocolate ainda resolve muita coisa.

 

You got a fast car.

Estudávamos em Lisboa e saboreávamos as primeiras dentadas de liberdade; íamos às aulas - quando íamos -, e éramos os reis e as rainhas das mesas do Bar. Jantávamos em casa uns dos outros porque podíamos, porque era uma forma de estarmos sós - mas juntos -, insolentes e cúmplices. Sonhávamos com futuros variados e resolvíamos injustiças com a jovem arrogância de uma penada. Trocávamos músicas e livros, falávamos mal de muitos professores e bem de alguns, andávamos de comboio, de autocarro, de metro e ocupávamos lugares ao molho, com ruído, casacos, manuais, códigos, mochilas e castanhas assadas em cones de papel que se partilhavam entre todos. Não se estudava uma linha, isso ficava para fazer em casa, mas bebiam-se umas cervejas, cozinhava-se muito (às vezes bem), bebia-se ainda mais. Rebolávamos a rir, pelos sofás, pelas cadeiras, pelo chão. Também dormíamos ao molho, pelos sofás, pelas cadeiras, pelo chão. Provocávamo-nos incessantemente, eles contra elas, elas contra eles, eles contra eles, elas contra elas, uns contra os outros, uns na direcção dos outros, alguns irremediavelmente, até hoje. Éramos todo poderosos e não vacilávamos nesse poder, subversivos e irmãos de sangue, parvos, adoravelmente parvos, e ouvíamos Tracy Chapman, lembro-me de andarmos todos a ouvir Tracy Chapman e a cantar o fast car em coro - And I had a feeling that I belonged /  I had a feeling I could be someone, be someone, be someone.

 

Por causa de um retrato

Olhas para ti na imagem fotográfica que tens na mão e não te reconheces, estás tão diferente, é como aquela sensação distorcida de ouvires a tua própria voz gravada - sabes que és tu, mas não pareces tu.

Ali, naquele retrato, notas que os anos vão deixando a sua marca, que há umas cãs que se insinuam e que o contorno dos olhos se fez mais fundo, apareceram também uns vincos ao lado da boca e uns riscos na testa que, em boa verdade, já lá andam há uns anos. O que mais estranhas, porém, é a forma do rosto, a estrutura óssea mais estreita e angulosa, é como se o teu rosto tivesse perdido um contorno redondo de doçura, um equilíbrio rechonchudo de inocência. A natureza tem estas coerências terríveis, desenha-se a ela mesma, implacável, resta-te cultivar o resto, por dentro, e esperar que essa parte interior se revele, de algum modo, pelas frestas de uma qualquer janela.

12.10.2016

 

Primeira chuveirada de Outono

Às 15:07h, o telemóvel tocou; no visor apareceu uma fotografia da minha cunhada com a cabeça coberta por um lenço cor de rosa. Gosto desta fotografia. Do lado de lá da linha, ouvi a voz de alguém que não cosia com a imagem:

- A Senhora deixou este telefone no restaurante.

- desculpe?

- daqui fala do restaurante Hipopotamus, estamos a ligar para Senhora D. Nônô para informar que a dona deste telemóvel o deixou aqui no restaurante, fala do Hipopotamus.

Fiquei a saber algumas coisas: 1) que não sou a única a padecer de um certo - e creio que saudável - desprendimento telefónico; 2) que a minha cunhada me identifica na lista de contactos por "Nônô" e não a "chata-da-cunhada", 3) que existe um restaurante em Lisboa com o nome de Hipopotamus; 4) que à semelhança de um amigo que uma vez me ligou para o escritório a dizer que "queria falar com a Dra. Nônô", há quem ainda faça o mesmo, antecedendo o diminutivo de um adorável Senhora Dona.

A Senhora desligou. Eu mandei mail à cunhada que não o recebeu mas que foi buscar o telemóvel à mesma.

A cunhada terá almoçado a horas razoavelmente decentes; eu engoli uma sandes de carne assada às 16:30, com o tempo de mastigação rigorosamente cronometrado para a consulta do dentista às 17:00 (incluindo aqui cinco minutos para lavar os dentes mal chegasse ao consultório).

Na mesa em frente do meu almoço/lanche/snack, duas adoráveis senhoras muito reformadas discutiam as notícias do dia: a caça ao homem que matou duas pessoas- "como é possível que ele ande a monte e ninguém o apanhe?" -, "a impossibilidade de o País receber mais refugiados quando já não tem sequer para os seus" - "mas já aconteceu antes", lembra uma delas, "sim, mas os tempos eram outros" responde a outra -, "e os taxistas, visto aquilo dos taxistas"?

Termino com um café cheio e uma bolacha de chocolate com o formato do Rato Mickey - um mimo da casa.

Já a pagar a conta, a Wook informa-me que o livro do José Sócrates está com 10% de desconto e portes grátis. Faço delete, rápido, ainda agora comi uma sandes, caramba.

Saio do dentista com um sorriso todo Pepsodent e volto para o escritório. Tinha um telefonema de uma conservatória a pedir-me passar por lá amanhã de manhã. Estive lá hoje, esperei cerca de 45 minutos para ser atendida. Não exerci o direito de atendimento prioritário a que profissionalmente tenho direito. Nunca exerço. Ao meu lado, uma mulher menos paciente e não tão bem acompanhada por um livro, levantou-se várias vezes para mandar bocas à funcionária que a estava a atender. Foi mesmo mandar bocas, nunca se lhe dirigiu directamente, vociferava umas coisas para o ar, à laia de mensagem e sentava-se com afirmações do tipo: "às vezes é preciso levantar-lhes a voz". A funcionária, paciente, revirava os olhos. Eu ria-me. A Senhora achava-se o máximo.

Entretanto, hoje choveu, uma chuva de céu cinzento que largou aquele cheirinho maravilhoso da primeira chuveirada do Outono. Lembrei-me de S. Miguel - lembro-me sempre de S. Miguel -, o ar evaporado e adocicado da terra, as árvores a pingar, o piso escorregadio. Não senti saudades do Verão, devo ser a única.

Escrevo agora para contrariar a ideia de que os dias da minha rotina nunca têm nada de jeito lá dentro. Não é verdade, e esta podia ser a página de um diário que eu não tenho tempo para escrever, mas vivo-o, atenta. Não falta tudo, às vezes preciso é de me levantar a voz.

 

Habitat

VFacaia

Há uma casa que abriga uma piscina muito escura, rodeada de um jardim que se vai plantando. Costumas lá ir por alturas de Setembro, para fechar o verão e reunir gente querida de um ramo familiar já muito desramado. Estende-se uma mesa comprida de pratos e travessas, espalham-se cadeiras e toalhas na relva e aproveita-se a tarde para os últimos mergulhos da estação.

À tua volta, há canteiros de alfazema, pequenos buxos, cactos e sardinheiras em vasos de barro. Há também uma figueira, dois limoeiros, uma trepadeira que sobe por um alpendre acima e um baloiço. Olhas frequentemente para aquele espaço a pensar que deve ser relaxante cuidar de um jardim - plantar por estaca ou a semente, podar árvores, regar, escolher sombras para viveiros e cantos abrigados para plantas mais frágeis, sujar as mãos de terra, aproveitar o silêncio circundante e gozar a satisfação de ver alguma coisa crescer, num ritmo de paciência.

De entre as muitas imagens fotográficas que coleccionas obsessivamente, tens bastantes dedicadas a paisagens de vegetação densa, mas também outras, em que se desenham varandas e terraços escondidos atrás de vasos de plantas e trepadeiras fortes. Já havias notado em ti esta propensão, capaz de te fazer parar debaixo de uma árvore gigantesca que te deixa perplexa na sua presença de sombra larga. Quantas vezes isto já aconteceu. Gostas destes cenários e gostas de te encontrar dentro deles. São Miguel é isto, como o é também a ilha das Flores com as suas lagoas e cascatas rodeadas de hortênsias e verde, a serra de Sintra num emaranhado de troncos e musgo; todos eles, lugares de encantamento pessoal.

Se alguma coisa te falta - de entre aquelas que se podem adquirir a troco de moeda -, um jardim, é muito provavelmente, uma delas, um pequeno mundo verde que te feche lá dentro. Uma ilha, serás sempre uma ilha.

 

Voltar

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Arrancam-te dali à força – outra vez – e, lá de cima, olhas para aquele pedaço de terra através da janela minúscula do avião e desenhas com o dedo as ruas que conheces e que ainda consegues ver - as portas da cidade, a Igreja matriz, a marginal, o porto. Uns minutos depois, a linha da costa, o escarpado das rochas, a areia preta das praias e o mar, escuro, violento, qualquer coisa entre o roxo e o preto. Sentes um aperto violento na garganta e repetes para ti mesma: voltas para o ano, voltas para o ano, voltas para o ano ...

 

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