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Outro Sentido

Outro Sentido

Meias tintas

Neste Abril soalheiro a anunciar primavera e dias quentes, abro a janela de manhã para um cenário de ventania forte a fazer rodopiar uma chuva leve. Estranhamente, está quente, como acontece nas manhãs tropicais das ilhas. Cheira a terra e eu gosto disso; se fechar os olhos vem-me à cabeça uma imagem de muros de pedra cobertos de musgo, as escadas escorregadias da nossa casa na Fajã de Baixo. Aqui não se vê pedra em lado nenhum, para isso, tenho de ir a Sintra, onde em tantos recantos vislumbro um lampejo que me faz voltar a S. Miguel. Vou lá às vezes, matar saudades de muitas coisas.

Agora já não chove, mas ficou no ar uma humidade quente e boa.

Há dias, no noticiário, havia um alerta para elevadas concentrações de pólen atmosférico, ou como dizia o Senhor da Uber que me trouxe a casa, níveis de fechar a garganta de qualquer um e fritar o nariz de tristes alérgicos como ele. Os mesmos pólens que lhe encheram o carro com uma carapaça de pó leve que se misturou com a chuvinha da manhã, numa argamassa pouco apresentável para um motorista que se preze – não se ganha para as lavagens, dizia ele.

Eu, que não gosto de calores excessivos, nem de frios cortantes, viveria lindamente com estes dias de meias tintas, com leves camadas de roupa que se vestem e despem ao sabor das horas.

Gente com nome e ruas com nome de gente.

A rua onde vivo tem nome de varina, diz lá mesmo isso - Fulana de tal e, entre parêntesis, "varina".

Gosto tanto do nome da minha rua que sempre que me perguntam a morada, faço questão de salientar o ofício da senhora inscrito no marco de azulejo que assinala o início da estrada - Varina -, não é Presidente da República, da Junta ou do clube da bola, é mulher de trabalho que eu imagino arisca, brincalhona, sem papas na língua, uma saia rodada e um pregão rasgado. 

Quando eu era miúda em S. João do Estoril, havia uma outra Senhora que vendia peixe numa carrinha com um balcão de madeira e uma janela que se abria à freguesia; estacionava à entrada da praceta e atendia aí as clientes que já conhecia pelo nome. Não sei se esta inspirou nome de rua, mas lembro-me de a ver a escamar peixe com vigor, das lâminas prateadas a saltarem por todos os lados e de trazer de lá pescadinhas para serem fritas com rabo na boca e arroz de tomate - há que tempos que não como pescadinhas com rabo na boca, e se calhar, quando comia, não eram vendidas pela peixeira da carrinha, mas a memória é um bicho intrincado e caprichoso, lembra-se do que consegue e constrói o que lhe falha, numa amálgama indistinta, meio verdade, meio invenção.

Nesse tempo, o gás era entregue à porta por um gigante de sorriso afável que carregava as bilhas escadas acima e, para além dele, apareciam mensalmente o Senhor do Círculo de Leitores e o dos Bombeiros Voluntários a cobrar as quotas. 

Os sapatos arranjavam-se no Senhor António, um velhinho curvado que exercia o ofício numa toca escura de porta aberta para a marginal, forrada de sapatos e a cheirar a graxa e cabedal, a mercearia era do Sr. Mendes, a papelaria era do Sr. Bolota, o gás era encomendado no Sr. Pinheiro e muitos anos antes, havia ainda o Sr. Manuel que nos entregava o jornal em casa (arremessado para a varanda?).

É que o comércio era muito isto, tinha nome e cara de gente.

Já pareço as velhotas do anúncio, no meu tempo ...

 

 

Os miseráveis

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Estive em Paris no início deste ano, um rompante decidido à mesa de um jantar, carregado da sorte de o poder fazer.

No início de Janeiro, a cidade das luzes estava mais iluminada que nunca, convidativa, festiva, animada. Paris na rua, a qualquer hora e em qualquer bairro, com lojas abertas até horas tardias, cafés, restaurantes, museus, jardins, ruas, praças, igrejas. Paris fervilha e respira cultura, arte, livros. É uma cidade encantada, estonteante.

Desta vez, porém, já em Lisboa, quando me perguntam como estava Paris, dou por mim a falar de coisas muito contrastantes com as razões que me fazem querer lá voltar, muitas vezes, amanhã, se possível.

É que há coisas que nos entram pelos olhos adentro e ficam lá, a fazer cenário e Paris estava armada até aos dentes, havia policia militar em cada esquina, de metralhadora ao peito, colete anti bala, botas de tropa e farda de camuflado; não era um ou dois, eram às centenas, em todo o lado, em todos os monumentos, em todas as avenidas, no aeroporto, nos jardins, no metropolitano. Sentimo-nos estranhos, com o coração a hesitar entre a segurança do aparato dissuasor e a eminência de o ver entrar em acção. É uma cidade sitiada, a tentar ignorar a presença militar para se encontrar a si mesma.

Depois, do outro lado das armas, há a indigência ostensiva: vemos cair a noite e, com ela, encontramos famílias inteiras de refugiados a dormir no chão, pais e filhos dobrados debaixo de camadas de cobertores, os adultos a ladear as crianças que se entretêm com um qualquer brinquedo, enquanto uma chuva miúdinha e gelada lhes cai na cama improvisada.

Nas primeiras linhas do artigo da Clara Ferreira Alves na Revista do expresso desta semana, ela diz:  "Há miseráveis a mais nas nossas ruas. Nas ruas de Londres, Paris, Madrid, Bruxelas ... Lisboa". Li isto e pensei imediatamente: será que ela também viu as famílias de refugiados em Paris? Mais baixo, ela responde-me: "Numa rua de um bairro elegante de Paris vemos famílias inteiras, pai, mãe, filhos pequenos, a dormir nas lajes".

É uma miséria adicional a somar àquela outra, a caseira, feita de desempregados e toda a sorte abandonados que se acumulam pelos cantos e que a nossa sociedade, agora, chama de sem abrigo, como se isso mascarasse a miséria humana à nossa porta, já a roçar a invisibilidade aos nossos olhos.

Eu tive a sorte de poder ir a Paris, de bilhete comprado e hotel marcado, mas trago de lá um excesso de bagagem com o qual não contava - a imagem daquela família deitada no chão a duas ruas do meu hotel, não me larga a retina, por isso, sempre que ouço um louco qualquer a falar em fechar fronteiras como quem fecha os olhos e empurra a poeira para debaixo do tapete, a minha reacção é emocional, uma raiva a crescer com a loucura do mundo.

"Ando com saudades da beleza"

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Leio uma crónica do Arnaldo Jabor onde ele diz: "ando com uma fome de arte, ando com saudades da beleza, ando com saudade de tudo, saudade de alguma delicadeza, paz (...)" e eu, que ando nisto, percebo-o.

O mundo anda feio, violento, desacreditado e corremos todos o risco de começar a banalizar a fealdade e resolver com um encolher de ombros os miseráveis poderes que nos governam. Há muito que deixei de acreditar em soberanias e encaro-as na perspectiva do mal menor; não creio que seja a única.

Acredito, isso sim, na força dos fazedores, dos que não se acomodam, dos que descruzam os braços, dos que fazem contracorrente, dos que não se limitam a viver vidas pequeninas feitas de prazeres próprios. Acredito na força desses milagreiros quotidianos, incapazes dessa coisa fácil que é a indiferença. Esses são os heróis, esses são os que fazem o mundo, esses são os que mudam o rumo, esses são os únicos capazes de plantar beleza nesse planeta e mudar-lhe o tom. Tento ser um deles, pertencer a esse clube, fazer coisas que dão sentido aos dias, que me fazem chegar ao fim da jornada com a noção sólida de "eu hoje fiz isso"; enraíza e é bom.

Ando com saudades da beleza, ando com saudade de tudo, saudade de alguma delicadeza; ando a ouvir música nova, uma pitada de indie, que tem o seu quê de inocência à moda dos anos sessenta e qualquer coisa de luminoso, é boa como a comida de conforto mas não engorda, embala uma manhã de edredon e pequeno almoço na cama ou uma horinha de sol de inverno na praia mais próxima. Também ando a correr os meus álbuns de arte para encher os olhos, lavar a retina da violência televisiva. Beleza é fundamental, ora bolas.

Ando com saudade de tudo, e devo estar naquela meia idade em que se viaja para trás por dá cá aquela palha, e eu tenho a sorte de o meu rewind ser encantatório como um labirinto, fico lá, às voltas, a perder-me pela lagoa do fogo, por Verões em S. João do Estoril, por cantinhos em Sintra, pela estrada do Guincho, Évora na Páscoa, Manta Rota em Agosto, Paris. Pergunto-me se daqui a vinte anos terei lugares a que voltar e que sejam feitos deste momento de agora ... sim, terei, é seguro que terei, e com gente muito boa lá dentro.

I'll be the ghost in your smile (...),

I'm a mosquito on your lips saying grace,

you know you want it bad

driven by lust

and whatever is left from your motor skills

Esta malta da música indie deve fumar umas coisas e vive na boa, a ver belezura todos os dias, muito cool.

Manifesto pessoal.

Uma tarte de cogumelos, uma tarte de tomate com oregãos, um frango de caril, filetes com arroz de tomate, feijoada de chocos, frango com coentros, lulas à americana, coelho na púcara, legumes gratinados, sopa de ervilhas com coentros. Isto deve arrumar uma semana de refeições sem que eu tenha de agarrar numa colher de pau. Valha-me essa grande invenção que é o pronto a comer caseiro e que me livrou dos grilhões da cozinha. Há muito que perdi o ânimo culinário que alimentou o meu passado de mulher casada. Aí, qual sonho do lar, eu cozinhava favas à portuguesa, arroz de pato e alcatra à moda terceira enquanto o diabo esfrega um olho. Hoje, tenho de mentalizar-me para fazer sopa na Bimby ou, como diz o meu pai, "estragaste-te toda". A verdade, porém, é que nesta existência maculada pela inexperiência culinária e a mais completa falta de interesse em tal, sou infinitamente mais feliz - enquanto o puder ser -, e isto de ter duas casas de bom pronto a comer nas redondezas, foi dos milagres genuínos que me aconteceram na vida.

Vivam as ligeirezas mundanas que nos facilitam os dias e que são variadas e assumem muitas formas - viva o Angelicalm, viva o Sinutab, viva a opção do MEO que permite gravar séries e revê-las em dose contínua ao fim de semana de manhã, viva o serviço de homebanking, via a engomadoria que se instalou no prédio ao lado, viva o jantar à segunda feira em casa da mãe, viva o continente online, viva o spotify, viva o instagram, viva o botão de silenciar o telemóvel (mega viva), viva o alerta de aniversários do Facebook, viva os jornais online, viva a wook, viva o chocolate Lindt flor de sal, viva tardes de chuva em casa e viva o dia em que decidi ter um tapete amarelo na sala - sim amarelo -, viva as gargalhadas entre amigos e os disparates via whatsapp.

É que isto de cá andar não fica mais fácil com os anos e se vos impingiram essa tanga, aviso já que é mesmo isso - uma grande tanga -, mas se formos construindo o nosso kit de primeiros socorros, isto fica bem melhor.

Cada qual procura o seu, há quem recorra ao jogging, a um copo de bom tinto ao final do dia, a um xanax na mala, a música a bombar a caminho de casa, aula de bike, aula kick boxing, aula de zumba, aula de yoga, tricot, crochet, puzzle, costura, bicicleta, prancha de surf, há até, pasme-se, quem se enfie na cozinha feliz e contente a cozinhar para um batalhão.

Eu cá, enfiei nove refeições feitas no congelador e respirei logo muito melhor.

A idade da indecência

 

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Eu agora faço análise, assim mesmo, como as brasileiras, que soa muito melhor: eu faço análise e aulas de pilates à hora do almoço. A minha mãe nunca fez análise e ainda criou dois filhos, mas eu não sou, definitivamente, a minha mãe.

Eu ando para aqui a atirar pedaços de vida ao ar e a tentar agarra-los ao mesmo tempo, como uma uma malabarista maltrapilha, em cima de uma corda muito bamba, pendurada lá no alto desse circo que é a vida. Tenho um show diário em horário fixo, das oito às oito, e a coisa não tem corrido mal, raramente deixo cair uma bola ao chão e, nas raras ocasiões em que isso acontece, eu vou lá apanha-la, com um pé, graciosa, super difícil, super show, parece que faz parte do número.

Lá de cima, na minha corda, eu vejo tudo - o antes, o agora e o depois (como o Caetano) - e o meu circo está muito diferente.

O antes era bom, era a idade da inocência em que eu resolvia tudo com chocolate e uma pista de dança. Nesse tempo, para aplacar as minhas angustias, o meu pai tentatava ensinar-me que a vida era feita de "setenta por cento de chatices e de trinta por cento de coisas boas", e que o importante era aprender com as primeiras e aproveitar as segundas. Para compensar, houve um dia que ele regressou de viagem com um Toblerone de meio quilo debaixo do braço; eu comi-o numa tarde e fiquei feliz por uns dias. O chocolate era como os pozinhos de perlimpimpim, tornava tudo mais doce e, quando o chocolate não chegava, a pista de dança resolvia. Na idade da inocência era fácil deslindar a vida e, no dia seguinte, o mundo acordava, igual a ele mesmo, a girar sobre o seu eixo, sossegadito, pelo menos, na extensão tranquilizadora do meu País e respectiva vizinhança.

Agora já não é assim, eu acordo de manhã e acho que o mundo perdeu o seu eixo - é que acho mesmo -, há dois dias a lua estava enorme e isso não pode ser coisa boa. Anda tudo a respirar o sobressalto do abismo - numa manhã o mundo está uma coisa e, na manhã seguinte, está outra oposta. O planeta está de pernas para o ar e o meu circo também, o que não é nada auspicioso para quem anda lá nas alturas, a equilibrar os pés numa corda agitada com ansiedades, desafios, cautelas, preocupações, ordenados para pagar, impostos para gerir, prazos para cumprir, gente que eu não entendo, egos que eu não suporto, trânsito, poluição, desencanto, sarilhos, irritações, falta de sono, dores nas costas, nos joelhos, na barriga.

Meu circo está diferente e eu tornei-me mais cautelosa. Agora, tenho uma rede enorme a flutuar debaixo dos pés, não vá o diabo tecê-las. Nessa rede, eu pus a família, a fé, as amigas, os livros, o mar, uma caixa de Angelicalm e uma tirinha de Diazepan, o voluntariado, a minha casa, as minhas plantas, o meu Moleskine, as aulas de pilates e sessões de análise (olha o Brasiu).  É isso que me salva da insanidade, é aí que eu encontro os pontos cardeais que me orientam e se cair, eu caio nessa rede, mesmo que o circo venha todo atrás.

Estou nessa idade, na velha infância que perdeu a inocência mas que vive na indecência generalizada.

O meu pai nunca mais me ofereceu um Toblerone, o que está mal; o chocolate ainda resolve muita coisa.

 

Dia de finados

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Fui uma única vez a um cemitério em dia de finados.

Era muito miúda e entregaram-me a tarefa de limpar a campa de alguém que nunca havia conhecido, mas eu limpei-a, dedicadamente, com uma amiga, um balde de água e duas vassouras. Lembro-me de o fazer com esmerado cuidado e empenho, lembro-me de o fazer como dádiva e com um profundo sentido de respeito, lembro-me de o fazer sem vislumbre de tristeza, mas atravessada por uma enorme ternura. No final do trabalho, aquela campa estava brilhante no seu mármore branco e eu levei um raspanete pelo lodaçal que a rodeava. Não liguei, achei que aquele morto, naquele dia estaria a olhar-me lá de cima, feliz e com uma gargalhada rasgada no rosto. Vi-o assim, mesmo.

Depois disso, voltei a cemitérios apenas com água nos olhos e, por umas quantas vezes, quase chorei um lodaçal semelhante, entretanto, nos dias que vão passando, falo muitas vezes com esses meus que já cá não estão, com as minhas avós em particular, ouço o que elas têm para me dizer, respondo-lhes e digo-lhes coisas de saudades. Às vezes, elas também me dão raspanetes, mas eu não ligo, acho que elas são sábias e que estão a olhar-me lá de cima, felizes e com sorrisos no rosto. Vejo-as assim, mesmo.

 

 

 

 

 

You got a fast car.

Estudávamos em Lisboa e saboreávamos as primeiras dentadas de liberdade; íamos às aulas - quando íamos -, e éramos os reis e as rainhas das mesas do Bar. Jantávamos em casa uns dos outros porque podíamos, porque era uma forma de estarmos sós - mas juntos -, insolentes e cúmplices. Sonhávamos com futuros variados e resolvíamos injustiças com a jovem arrogância de uma penada. Trocávamos músicas e livros, falávamos mal de muitos professores e bem de alguns, andávamos de comboio, de autocarro, de metro e ocupávamos lugares ao molho, com ruído, casacos, manuais, códigos, mochilas e castanhas assadas em cones de papel que se partilhavam entre todos. Não se estudava uma linha, isso ficava para fazer em casa, mas bebiam-se umas cervejas, cozinhava-se muito (às vezes bem), bebia-se ainda mais. Rebolávamos a rir, pelos sofás, pelas cadeiras, pelo chão. Também dormíamos ao molho, pelos sofás, pelas cadeiras, pelo chão. Provocávamo-nos incessantemente, eles contra elas, elas contra eles, eles contra eles, elas contra elas, uns contra os outros, uns na direcção dos outros, alguns irremediavelmente, até hoje. Éramos todo poderosos e não vacilávamos nesse poder, subversivos e irmãos de sangue, parvos, adoravelmente parvos, e ouvíamos Tracy Chapman, lembro-me de andarmos todos a ouvir Tracy Chapman e a cantar o fast car em coro - And I had a feeling that I belonged /  I had a feeling I could be someone, be someone, be someone.

 

Pois é

Saio do escritório já noite cerrada. A rua está escorregadia debaixo de uma chuva miudinha e as folhas amarelas dos plátanos alcatifam o alcatrão. O frio já pede mais uma camada em volta do pescoço e eu equilibro como posso uma mala, uma pasta de trabalho e um guarda chuva. No café empilham-se cadeiras e limpa-se o balcão, um grupo ocupa ainda a última mesa da esplanada e demora-se numa cavaqueira de final de dia. Paira no ar um cheiro bom a lenha queimada, a fazer adivinhar lareiras crepitantes nas casas em volta, vislumbro salas e cozinhas nas janelas iluminadas e gente que as cruza lá na vida delas. Há um homem que verifica os vasos da varanda e outro que desce a rua com um cão agasalhado com um tecido de xadrez; diz-me boa noite e eu respondo: "pois é". Ele ri.

 

 

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