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Outro Sentido

Outro Sentido

Geografias

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A importância de termos lugares bons que nos salvam, não importa se são lugares mesmo, feitos de espaço e com localização no mapa; geografias há muitas e aquelas do coração podem levar-nos a caminhos de consolo tremendo. Há pessoas que são lugares, os melhores lugares da nossa história, voltar a elas é mergulhar em sorrisos íntimos de conforto, abraços que se dão para lá da ausência, estão sempre lá, mesmo quando já não estão. Voltamos a esses lugares porque sim, porque não, porque nim. São lugares cativos e são sempre os melhores, porque a partir deles vemos tudo e guardamos essa paisagem em fotogramas mentais a que voltamos mais tarde, num rewind de coisas boas. É assim uma espécie de cinematografia pessoal, com realização espontânea que tende a guardar instantes que até pareceram banais no momento em que os vivemos, mas que depois, vistos da plateia dos anos, são raros, espantosos, densos, saltam com uma banda sonora em crescendo e um close up de detalhes que nos surpreendem na nossa capacidade de memória.

 

Hello Goodbye

Quem passe vinte minutos na plataforma de chegadas de um aeroporto sentirá de imediato que aí se desenha um cenário de alegrias sem fim que nos toca necessariamente. Percebo bem a cena de abertura do filme love actually e da última vez que fui buscar os meus pais ao aeroporto, entreti-me e deliciei-me com cada história que se desenrolava à minha frente. Grupos de amigos barulhentos que correm em bando para abraçar outros, filhos pendurados nos carrinhos da bagagens a esbracejar para que o pai os encontre no meio da confusão, maridos que esperam as mulheres e que cruzam um olhar cúmplice e sorridente, familiares que choram a alegria do reencontro, amigas a esbracejar sacos de compras para outras que as esperam aos pulos e por aí adiante. A porta de chegadas de um aeroporto é certamente o anti-depressivo mais eficaz de sempre e devia ser vendido em frasquinhos, uma prescrição de abraços e beijos e sorrisos e comoção daquela que faz bem a qualquer hora do dia ou da noite.

 

Num registo totalmente oposto, encontrei esta espantosa colecção de fotografias de 1944 tiradas na Estação da Pennsylvania. São imagens não de reencontro mas de despedida, no cenário duro de uma guerra. Imagens de uma ternura indescritível, de um abandono ao instante que conta, um beijo de adeus a tentar cristalizar o tempo e, não raro, o desespero da incerteza. São imagens poderosas e magníficas, as pequenas histórias da História em fotogramas a preto e branco. 

[colecção completa no link acima e vale bem a pena espreitar]

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