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Outro Sentido

Outro Sentido

Viagens na minha terra

Uma bela manhã de verão, passeio pelas ruas da Vila, a admirar os murais recentemente pintados no âmbito do Festival Muraliza (aconselho vivamente).

Numa esquina, dois pintores (com um ar muito hippie), terminam uma paisagem Cascalense, enquanto um fulano de calções e copo na mão - que depois esclareceu estar regressado dos Santos populares, curando a bebedeira com mais vodka -, vê passar duas estrangeiras muito louras e grita para o lado oposto da rua:

- Ladies, ladies, talk to me; are you hungry? Let's have lunch.

As ladies, olham uma para outra com cara de é-melhor-sairmos-daqui-quanto-antes, mas o nosso tuga insiste:

- Ladies, ladies, pay attention...

As ladies - moças novas e de vestido curto, continuam em frente. Eu tento concentrar-me na fotografia que vai ficando a meio com a risada.

O Tuga:

- Ladies, ladies, pay attention; you pay the attention, I pay the sushi!

As moças riêm, finalmente, eu desisto da fotografia, o Romeu, ispirado, continua:

- Do you see that big yellow ball in the sky? That's only the sun, but you are the light of my life!

Ergue o copo e brinda à vida, afinal, é feriado, são só onze da manhã, ainda o dia é uma criança.

Viva o Santo António, meus amigos!

Mãeínha

A minha mãe não está cá, anda no laré, algures na Alemanha, com uma amiga. A minha mãe é assim, anda sempre no laré com amigos e a respectiva agenda de professora reformada está mais preenchida do que a minha de advogada no activo.

Eu, quando for grande, quero ser como a minha mãe.

Eram 09:15  da manhã quando recebi um sms a dizer: "estou muito feliz por te ter como filha. Beijinhos, mãe". Um sms, note-se, porque mãe que é mãe, não telefona à filha às 09:15 da manhã de um domingo para dizer o que quer que seja, a menos que tenha a casa a arder, em vez disso, manda um sms que a filha lê na horizontal e a esfregar as remelas e responde - às 09:45 com um: "Bom dia mãeínha. Sou abençoada com uma mãe de excepção que é também a minha melhor amiga", e isto é giro porque encerra uma dupla mensagem: na verdade, a minha mãe é a minha melhor amiga, mas nem eu, nem ela, gostamos particularmente da expressão melhor amiga; ela ensinou-me isso, que amigas há muitas e nenhuma delas é melhor ou pior do que a outra, são apenas diferentes, umas ficam outras não, mas isso não interessa nada porque foram amigas em determinado momento e isso acrescentou qualquer coisa à pessoa que eu sou hoje.

As mães ensinam estas cenas e têm sempre mais uma cartada na manga e conhecem-nos do avesso e resmungam muito com o nosso cabelo desalinhado e com a falta de telefonemas durante a semana. São coisas de mãe; dizem que lhes cortam o cordão umbilical mas não é verdade, ele está lá, sempre, até quando elas estão a laurear a pevide na Alemanha.

Eu, quando for grande, quero ser como a minha mãe que, normalmente, trato por mãeínha, como nas telenovelas brasileiras de antigamente - acho que agora se diz novelas, não sei -, e também não sei se as novelas de agora ainda usam estas coisas melosas de diminutivos que se agarram ao ouvido e que soam a cafuné.

2013 - 2014

Estou profundamente grata por 2013; tudo revisto e ponderado, fui abençoada com muitíssimas alegrias, experiencias novas, lugares, livros, conquistas e gente boa. O meu mundo expandiu e eu com ele. 

O desafio é sempre um caminho de crescimento - é o que mais retenho.

No começo de um novo ano, lanço os olhos ao alto e aguardo o que aí vem com expectativa e vontade. Tenha eu mãos, saúdinha e tempo para tudo o que apetece.

Um bom ano para todos

Meu querido Santo António

Dia de jantar semanal com trono dedicado a Santo António a ladear a mesa e quadras familiares a enfeitar o mangerico. As meninas desafiadas à última da hora ainda subiram o banquinho para apregoar outras tantas porque fazer rimas é cool. As flores de papel foram feitas por avó e neta. A minha mãeínha consegue sempre engalanar a casa em modo festivo.

 

Vivó Santo António

Vivó São João

Vivó dez de Junho

E a restauração ...

Mãe

"mãe, eu sei que ainda guardas mil estrelas no colo.
eu, tantas vezes, ainda acredito que mil estrelas são
todas as estrelas que existem".

 

José Luís Peixoto

Uma Santa Páscoa

Como ainda ontem ouvi, este é um tempo de alegria e não de tristeza, é um tempo de conversão, quanto mais não seja, a conversão do meu olhar, da forma como encaro a minha vida e o meu próximo. Olhar através de Deus é ter a certeza de uma perspectiva Quaresmal, pacificadora, exigente na medida em que requer de nós um caminho paralelo aos nossos egoísmos e confortos mas no qual descobrimos a cada passo uma fortaleza interior inabalável e uma vontade férrea de mais e melhor.

Boa Páscoa.

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