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Outro Sentido

Outro Sentido

Como barro nas mãos de oleiro.

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Diz que a primavera chegou mas do lado de cá da janela não parece nada; é domingo de ramos e há uma música cantada após a comunhão que te comove sempre, é  um pedido de fortaleza que te enche inteirinha, até aos ossos e para lá deles, faz-te tremer cada fibra do corpo como as cordas da guitarra dedilhada que, logo ao primeiro acorde, te recolhem a cabeça ao peito e te obrigam a um fechar de olhos. Já sabes que vem dali um aperto, um sorriso mal disfarçado e uma lágrima rolada que limpas à socapa.

Gostas de ver aquela Igreja à cunha, como sempre está, gostas de ouvir o Pai nosso rezado como o ressoar de trovão, porque são muitas as vozes que o dizem, são tão diferentes os timbres que o rezam, e ele vem com uma força surpreendente, como se cada palavra dita tivesse um peso tremendo e batesse naquelas paredes com estrondo, violência.

Nem sempre és barro maleável nas mão de oleiro e sentes que obrigas muitas vezes ao esforço de cinzel, mas é precisamente nas tuas arestas mais difíceis que lhe pedes para não te largar, mesmo quando foges e crias distancia entre e ti e tudo, entre ti e tudo, entre ti e tudo, e depois ouves aquelas notas e aquela frase tremenda: "sozinho eu não posso mais / sozinho eu não posso mais viver", e sabes que aquilo é em ti o pilar, a primeira pedra que te define, a estrutura viva que te faz andar e nunca - mas nunca - sais só.

1º aniversário da Déjà Lu - porque é que valeu a pena?

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Faz agora um ano que abriu a livraria Déjà Lu, na Cidadela de Cascais, um primeiro piso a que se acede subindo umas escadas íngremes, facto que nos chegou a fazer recear que poucos se aventurariam naquele espaço tão bonito, dedicado aos livros já lidos e a uma causa muito especial.

O projecto da livraria nasceu e foi acarinhado na cabeça da minha querida amiga Francisca Prieto, em tudo e sempre apoiada pela minha querida prima Maria.

Eu estava lá no dia em que assinamos a escritura de constituição da associação, mas também no dia em que se começaram a tirar livros das caixas e a arruma-los nas estantes, e no dia em que inauguramos a loja e vestimos os aventais de voluntários pela primeira vez, e ao longo deste ano todo, uma vez por mês, num turno de meio dia, a vender livros aos muitos que visitaram a loja e que saem de lá de boca aberta com o que encontram e com livros embrulhados em pacotes de papel pardo, com um marcador da loja e uma rifa com a citação que calhar.

A Déjà Lu não é só uma livraria, é um sonho projectado durante muito tempo, acarinhado em todos os detalhes, em cada recanto, em cada livro que vai para uma estante ou para a mesa de destaque.

Já perdi a conta  ao número de pessoas que me pede para fotografar a loja - e podem, é claro que podem -, nós sabemos que ela é linda e até ajeitamos um livro ou outro para que a fotografia saia catita.

Por lá passaram este ano, David Grossman, Matilde Campilho, Anabela Mota Ribeiro, Laurinda Alves, José Rodrigues dos Santos, José António Tenente, Leonor Sillveira, Beatriz Batarda, Margarida Cardoso - e devem faltar mais, com certeza - e foram lá rádios e televisões e jornais e revistas, porque a Francisca e a Maria não param, um segundo que seja, e dedicam dias e horas e neurónios e muita criatividade a esta livraria tão especial.

As doações de livros cresceram, em quantidade e qualidade - que generosidade tremenda!

Os voluntários são muitos e dedicados, e sempre prontos para o que for necessário e, também nisto, a equipa teve sorte, pois todo o trabalho é trabalho voluntário, desde o armazém, à arrumação e limpeza da loja, passando pela venda dos livros. Uma bênção, esta malta toda. Insisto, como já fiz antes, que o projecto não é meu, mas adoptei-o e, por isso, avanço aqui um obrigado a todos.

O dia é importante, a Livraria faz um ano e está - musicalmente falando - alive and kicking!

Hoje estaremos por lá todos, com alguns padrinhos e em ambiente de festa, pelo que apareçam, é que se tudo isto não fosse já suficiente, hoje, oficialmente, cumpre-se a razão de tudo:- depois de um ano de trabalho, dedicação e entusiasmo, a livraria irá doar 20.000 € á Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 e mais 2.000 € à Pais 21. Foi por isto, valeu a pena.

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