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Outro Sentido

Outro Sentido

O cartaz do bloco de esquerda

O cartaz do bloco de esquerda não pretende discutir coisa nenhuma.

O cartaz do bloco de esquerda pretende apenas ser o que é: um acto de irreverência infantil e provocatória que é a imagem de marca do bloco de esquerda.

Com o cartaz do bloco de esquerda, a única coisa que será falada e discutida é anormalidade do cartaz do bloco de esquerda.

Com o cartaz do bloco de esquerda, aquilo que será colocado na ribalta é a lei do vale tudo, a ostensiva anarquia que se está nas tintas para todos, mesmo quando o todos é a grande maioria da população portuguesa que o bloco de esquerda supostamente representa e governa.

O cartaz do bloco de esquerda é a prova irrefutável do desgoverno do bloco de esquerda.

O cartaz do bloco de esquerda é o espelho do bloco de esquerda.

O cartaz do bloco de esquerda é o bloco de esquerda.

O cartaz do bloco de esquerda é lixo, não serve nem para reciclar e eu, pelo meu lado, fico satisfeita por, até agora, ninguém estar a discutir mais nada para além do cartaz em si mesmo; é que o bloco de esquerda deve achar que os Portugueses são todos idiotas, mas País não é o bloco de esquerda, graças a Deus. 

Eterno enquanto dure

Achas que houve um tempo em que soubeste amar, houve um tempo em que amar era uma promessa que fazias de manhã à noite e que não se suspendia nem no sono, lembras-te desse tempo e sabes que o perdeste, porque só se ama assim numa determinada idade da vida, depois disso, a inocência entregue naquele amor sabe que esse amor a matou. A partir daí, poderás amar outra vez, muitas vezes até, mas nada igual àquilo, porque o primeiro tem essa marca impossível de só poder ser primeiro uma cristalizada vez.

Numa das cartas que Rilke escreve a um jovem poeta, ele diz: "Se uma coisa é difícil, razão mais forte para a desejar", ele diz isto ao jovem destinatário à laia de lição dada pelo homem que já se adentrou mais na vida e que tem, por isso, algo de importante a gravar-lhe na alma - "Amar também é bom porque o amor é difícil".

Não leste Rilke quando eras jovem e lê-lo agora, na metade da vida, traz-te o ferrão da lição tardia. O amor da juventude tem essa marca terrível da distância fossilizada da beleza, e tu eras bela, e o teu amor, belo era.

No teu caminho, faltaram-te as lições de Rilke - "O amor não consiste nisto de um ser se entregar, se unir a outro logo que se dá o encontro. (Que seria a união de dois seres ainda imprecisos, inacabados, dependentes?) (...)Quando o amor surge, os novos deveriam ver nele o dever de se trabalharem a si próprios". Tu não sabias isto e, com os anos, talvez tenhas aprendido (muito gradual e penosamente) e hoje perseveras no amor com a disciplina férrea do soldado em missão. Detestas que precisem de ti -nunca gostaste, na verdade -, a necessidade é egoísta, e o amor não pode ter essa marca; sonhas em escapar às convenções do amor mas não consegues e, logo aí, dás-te por vencida, subjugada às regras que tens de aplicar à anarquia maior do tudo que há em ti.

Uma amiga perguntou-te há pouco tempo se era para sempre, olhaste-a aflita e pediste-lhe para nunca - mas mesmo nunca - te colocar semelhante pergunta; o teu para sempre é aqui e agora, muitas vezes para lá das tuas forças, para lá da tua crença, para lá da tua vontade, mas nisso tu já não és jovem, aprendeste que amar é difícil e que no difícil, pode ser bom, enquanto dure, e que há sempre espaços no amor em que estarás só e que nesses espaços de silêncios sinuosos, persistir no amor é a maior prova dele que poderás dar.

 

 

 

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