Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Outro Sentido

Outro Sentido

Falar sobre o tempo

A notícia do mês, aquela que se ouve discutida no balcão do café, comentada no facebook, lamentada ao telemóvel, partilhada por email e conversada em cada esquina ou gabinete de trabalho, não é do desaire benfiquista ou a boçalidade animalesca de certos adeptos da bola (sejam eles de que clube forem), não é a aprovação parlamentar da co-adopção por casais do mesmo sexo, não é a troika, a greve que se aproxima ou as previsões da OCDE; nada disso.

A notícia do mês é (tambores) que não vai haver verão este ano.

De nada mais se fala, e entre a informação lançada pelos Franceses, já anteriormente veiculada pelos americanos e agora posta em causa pelos Portugueses, todos se deprimem ou esperançam consoante as férias já marcadas no calendário; uns lançam as mãos à cabeça pois confiaram no sempre certo mês de Agosto (que já deu chuva e trovoada no ano passado, eu estava lá e lembro-me), outros, sorriem manhosos e esfregam as mãos pois sobrou-lhes, na marcação tardia das férias, o mês que, afinal, se auspicia veraneante.

É disto que se fala e o resto são rodriguinhos, e ainda dizem mal da conversa de circunstância quando aquilo de que se fala é do tempo!

Falar do tempo pode ser tudo, aqui desaguam muitas emoções ou não estaria a cor do céu associada ao estado de alma e temperamento daqueles que debaixo dele habitam. Os povos do sul, ditos mediterrânicos, bafejados pelo sol tantos dias do ano, são mais alegres, hospitaleiros e ociosos do que aqueles do norte que mal o vêm, já para não falar dos que residem nas ilhas britânicas e que vivem molhados o ano inteiro, oscilando entre o cloudy e o cloudy de cada estação. O tempo é uma condicionante importante do nosso estado de humor, da forma como encaramos o dia (ou os meses) que temos pela frente. Convenhamos, qual é a mulher que se preza que não anda já danada por se ver obrigada a ponderar, todos os dias, a versão intermédia (e impossível)  entre as sandálias ainda guardadas na caixa e as botas de cano alto que já não se aguentam?

Anda o Passos a rezar por notícia mais valente que o olvide das parangonas dos jornais, quando a única coisa que precisava de fazer, era anunciar o boletim meteorológico!

 

Os desacatos na sala de aula

Havia uma prisão académica em pleno recinto da universidade de Coimbra, as celas eram pequenas, húmidas e feitas de pedra, num espaço subterrâneo, logo abaixo da sumptuosa e elegante biblioteca. A pedagogia era outra e os desacatos na sala de aula eram punidos com o esqueleto lançado aos calabouços e não como uma repreensão escrita, reuniões de pais, processos contra professores e outras cenas modernas. A informação está em mau português, lapsus linguae, creio, mas as celas não deixam grande margem para dúvidas quanto ao poder disciplinar aplicado.

Guia para um final feliz

Porque a vida é, também ela, muitas vezes, um pouco bipolar, a precisar de drogas que adormeçam a fera e de emoções que a despertem das drogas e alguns tropeções e apostas múltiplas de alto risco que violam todas as regras das probabilidades mas que fazem todo o sentido quando se está naquele cenário que só nós é que vemos, um quadro pintado com as nossas cores e banda sonora que encontra o final improvável que nunca, mas nunca, havíamos desenhado no início. O filme é giro e não, não há guias para finais felizes, tudo se resume a meia dúzia de passos de dança!

A árvore dos desejos

A árvore dos desejos está plantada no jardim do museu Peggy Guggenheim em Veneza, um Palácio digno do nome, em pleno grande canal, onde a própria viveu, rodeada de artistas e daquilo que eles de melhor faziam. É um museu admirável e vale bem a pena, perder uma tarde de gôndolas para entrar naquele espaço, onde a sala Jackson Pollock bate tudo. Visitei-o em Fevereiro, debaixo de um frio cortante, pelo que a árvore dos desejos, em plena mutação de folhagem, estava branca de papeis e neve. Não resisti a fotografa-la porque, tal como os chapéus, desejos há muitos e vão do banal - e universal - "eu quero é ser feliz", passando pelo temático "give peace a chance", a outros, bem mais concretos e direccionados. O conceito de Yoko Ono resvala o naif mas, na sua transformação diária, roça também a ternura, a alegria e o riso.

Pág. 1/3

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D

The New Yorker

Frida Kahlo

Small things

Wise Words

canto de leitura

Your house

Flower Power

Odeio o acordo ortográfico

License

Licença Creative Commons
obra licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.