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Outro Sentido

Outro Sentido

Este sábado como terra de ninguém

[Tunísia, 2003]

«O sábado santo não é apenas um dia imenso: é um dia que nos imensa.  Aparentemente representa uma espécie de intervalo entre as palavras finais de  Jesus pronunciadas na sexta-feira santa, "tudo está consumado", e a  Insurreição da vida que, na manhã da Páscoa, ele mesmo protagoniza. O sábado  tem assim um silêncio que não se sabe bem se é ainda o da pedra colocada sobre  o túmulo, ou se é já aquele misterioso silêncio que prepara "o grande  levantamento" que a ressurreição significa. Este "intervalo",  esta terra de ninguém, este tempo amassado entre derrotas e esperança, entre  provação e júbilo é o da nossa vida. O silêncio do sábado santo é o nosso  silêncio que Jesus abraça. O silêncio dos impasses, das travessias, dos sofrimentos,  das íntimas transformações. Jesus abraça o silêncio desta sôfrega indefinição  que somos entre já e ainda não».

(José Tolentino de Mendonça, daqui)

Acredita, eu consigo.

Andamos a tropeçar nestes cartazes ao virar de cada esquina e ficamos embasbacados com os sorrisos, a descontração, as posturas confiantes. Uma campanha muitíssimo bem conseguida que visa sensibilizar-nos a todos para a integração social e profissional dos portadores de trissomia 21. Não me deixo encantar facilmente com imagens publicitárias e mesmo que a causa subjacente seja louvavel, demasiadas vezes passam-me ao lado pela ausência daquele golpe de asa capaz de transmitir a mensagem devida. Não é este o caso. Mais cartazes e informação aqui. Yes, they can!

 

13 anos e 3/4

Sue Townsend anuncia o fim dos diários secretos de Adrian Mole. É a frágil saúde da autora que põe termo às confissões do personagem. O primeiro livro foi publicado em 1982, tinha eu doze anos, e apareceu lá por casa, na estante do meu irmão, que o recebeu de presente já não sei de quem.

Adrian Mole é um adolescente - com treze anos e 3/4, mais precisamente - que relata a sua vida em forma de diário. Nele, fala-nos das suas borbulhas, das suas preocupações existenciais, do seu crescimento,  da sua namorada (Pandora? seria? como a caixa?), da sua família (algo desconstruída), do seu cão, dos seus amigos, do meio social em que vive. É um bem conseguido retrato da adolescência no masculino que conquistou inúmeros leitores em todo o mundo, ao ponto de se tornar quase livro de culto.

Sue Townsend continuou as reflexões de Adrian pela vida fora e planeia ainda lançar um livro onde o encontra do alto dos seus 45 anos. Não li nenhum diário após o primeiro - creio que morre qualquer coisa quando a originalidade de uma ideia é esticada à exaustão - mas, de alguma forma, o anúncio deste fim toca-me com nostalgia. Este livro é um verdadeiro "cromo" da caderneta vital de muitos miúdos da década de oitenta.

Sonia from the Bronx

Sónia Sotomayor é uma Norte americana de ascendência porto-riquenha, nascida e criada no Bronx, o bairro que lhe moldou o carácter e onde se sente em casa. Frequentou Princeton e Yale, foi Procuradora do Ministério Público em Nova Iorque de onde saltou para a advocacia privada para regressar ao serviço publico do lado de lá da barra, onde se dedicou a uma carreira na magistratura. É actualmente Juíza do Supremo Tribunal por nomeação de Barack Obama. Deu uma maravilhosa entrevista ao programa 60 minutos, onde fala da diabetes diariamente controlada, dos tempos de faculdade, do exercício da advocacia onde se revelou uma negociadora dura e dos cargos de magistratura onde viu o pior do ser humano. Não é uma mulher alta, mas, há nela uma altivez inacta que cresce a cada palavra. Denuncia uma tenacidade vital, uma perseverança disciplinada que tenta mascarar de simples teimosia. Numa entrevista que procurava, acima de tudo, dar a conhecer a mulher, percebe-se que a Lei é o seu chão, que leva o trabalho muito a sério e que se lhe dedica com afinco. No exercicio da magistratura protege estoicamente o ambiente de decisao judicial, deixa claro que não é coisa para ser trazida a público, ao nível de julgamentos sumários feitos de opiniões precipitadas e preconceitos. Para ela, a isenção decisória não é um princípio geral esquecido nas páginas de uma constituição com aplicação longínqua, é (exemplarmente) algo sério que a leva a recolher as suas decisões às salas dos Tribunais, bem longe das paragongas dos jornais.

 

Scott Pelley - Recusou-se a comentar casos que estão em Tribunal, quer estes estejam a ser julgados quer já tenha sido alvo de decisão; pergunto porquê?

 

Sónia Sotomayor - Por vezes as pessoas não entendem que os juízes podem ter experiências pessoais e até opiniões pessoais sobre as coisas. Mas, se falarmos em público sobre essas coisas, as pessoas vão precipitar-se e concluir simplesmente que já tomamos a nossa decisão.

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