Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Outro Sentido

Outro Sentido

At work

Tenho cá para mim que, quando um pedido a uma Repartição pública é "reencaminhado para o serviço competente", acaba arquivado na pasta "não sei onde está o processo".

Aguardemos.

Da irmandade orgulhosa

Quando se fala em mulheres fortes é frequente a analogia com as leoas, mas eu sempre duvidei da comparação e faço-o com conhecimento de causa. É que na minha família, eu tenho uma Loba - pasme-se, uma Loba numa família de Coelhos Rosados - uma mulher que o é em tantas facetas, que nos conquistou a todos, ao longo dos anos, pela Pessoa (com "P" grande) que é. A minha Loba é o General (olha a private joke) mas mais do que isso - e digo-o com o orgulho de quem se auto elegeu irmã - é uma grande mulher, daquelas como há poucas, porque o é sempre, por dentro e por fora, em toda e em qualquer circunstância, para o bem e para o mal, na bonança e na tempestade, na saúde e na doença, na riqueza e na Troika, na família e no trabalho, no grupo de amigos e daqueles que acabou de conhecer, nas reuniões de pais e nas reuniões da empresa. É uma mulher dotada de uma rara coluna vertebral (estou a falar de rectidão), porque tem estatura (estou a falar de alma), porque é sã (estou a falar do coração) e é forte (estou a falar de índole), corajosa, lutadora, disponível, sempre amiga, justa e confidente dos muitos que sabem que o que ali cai é guardado e será apenas devolvido na medida certa da ajuda precisa e nunca condescendente, porque coitadinhos, vitimas e Calimeros  acabam com o chuto no rabo que estão a precisar para se levantarem do chão, mesmo que a seguir ela lhes dê a mão, o braço, o carro e os pés para os pôr a andar novamente pela vidinha fora. Contemplações não são com ela mas preconceitos e rancores também não, a vida é demasiado curta para isso e além do mais, dão uma trabalheira danada. Como qualquer Loba que se preze, a minha Loba é ciosa da sua alcateia e protege-a, acarinha-a, educa-a e mantem-na linha como ninguém. É uma super mãe. Foram poucas as vezes que a vi  mostrar as garras e os dentes porque a Loba tem aquela presença que se afirma e impõe sem necessidade de dobrar a esquina do palavreado de botequim, antes fazendo uso de uma legítima ascendência nobre que lhe empina o nariz e o olhar, na medida do necessário para transparecer o carácter que a atravessa.

Hoje, acabadinha de chegar aos quarenta anos, é uma mulher de excepção e eu, todos nós, temos a sorte de a ter nas nossas vidas.´

Parabéns, mana Loba.

 

Oh gente da minha terra

Por imperativos profissionais, tenho sido obrigada a largar o conforto da secretária e a calcorrear esse País de norte a sul. E porque nenhuma diligencia tem a duração de um dia inteiro, pelo caminho, aproveito para espreitar a cidade, vila ou aldeia mais próxima e descobrir as gentes da minha terra e os seus lugares. Normalmente, escondo a toga dentro da mala porque já aprendi que o sinal da evidência profissional é suficiente para acrescentar o "doutora" onde que que entre, seja a farmácia da esquina, o café do canto ou a merceria mais abaixo. Há uma reverência doutoral que me incomóda mas que para aquelas gentes sai com a naturalidade de quem conheceu tempos em que a mesma não estava ao alcance de todos.

À chegada do combóio, procuro a caixa Multibanco da estação mas um taxista, encostado ao carro e à espera de freguês, informa-me que a dita foi roubada e acrescenta, fanfarrão, que os ladrões fizeram o trabalho incompleto, pois levaram a caixa mas deixaram o sinal indicativo da mesma. Agradeço e aproveito o transporte para a cidade. Já a arrancar, pergunta-me se me importo de partilhar a viagem com o Sr. Padre e o seu ajudante, precisados de chegar à Paróquia com urgência. É claro que não me importo e assim seguimos os quatro numa viagem inesperadamente abençoada e com a bandeirada dividida entre todos. Pelo caminho, vou passando pelo comércio local e apercebo-me que ainda há lojas que se chamam "boutiques" e que as boutiques são da Maria Amália, da Helena ou da Filó, do mesmo modo que as casas de fatos são do Medeiros ou do Santos. Já as lojas de casamentos são apenas "Loja dos casamentos" e exibem três montras seguidas com toda a parafernália festiva e cintilante que se impõe e que depois se enfia no baú com umas bolinhas de naftalina compradas na drogaria que fica mais abaixo, mesmo ao lado da loja das loiças que agora também já vende tachos e alguidares coloridos e até ratoeiras metálicas penduradas no umbral da porta de entrada que isto da crise chega a todos e há que fazer pela vida. Pelo caminho, tanto o Sr. Padre como o taxista, exibem uma boa disposição matinal de guias turísticos de ocasião e lá vão indicando, o museu municipal, o edifício do Tribunal, as Igrejas que são várias e o Hotel. Contam ambos que o Sr. Mendes já guiava o carro quando casou na Igreja Paroquial, comprou o fato na loja dos fatos e pagou o vestido de noiva da loja dos casamentos e adivinhem quem celebrou a cerimónia, abençoou o enlace e baptizou os filhos? Noto em todos com quem me cruzo uma amabilidade espontânea de quem vive mais devagar e tem tempo (esse santo Graal, o tempo), noto, acima de tudo, um orgulho mal escondido da sua terra, das ruas empedradas, da história, do que foi e do que é. É assim, pelos caminhos de Portugal.

 

Pág. 1/3

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D

The New Yorker

Frida Kahlo

Small things

Wise Words

canto de leitura

Your house

Flower Power

Odeio o acordo ortográfico

License

Licença Creative Commons
obra licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.