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Outro Sentido

Outro Sentido

S. Pedro

Dias quentes de Fevereiro, previlégios de viver neste canto à beira mar plantado, a certeza de que, por aqui, qualquer raio de sol faz a gente sair à rua e sentar-se numa esplanada, apanhar umas ondas ou lançar o anzol a ver o que morde. É aproveitar as cores, o quentinho tímido de uma primavera antecipada com fim anunciado. Misturam-se as T-shirts com os blusões de cabedal, as botas, os ténis e as sandálias e levam-se os cães a correr no areal e brincar na rebentação. Os surfistas salpicam a costa e não desistem, aliás, por aqui não desistem nunca, faça sol ou faça chuva. Os casais de namorados procuram refúgio nos cantos escondidos ou gozam o sol a dois, de revista ou livro na mão porque a companhia boa também se faz de silêncio e presença apenas. Famílias inteiras e ruidosas saêm à rua, a estafar a criançada que se anima alegremente a jogar às escondidas, a rolar as trotinetes, as bicicletas, os skates, os patins em linha. Rodam também as imperiais, as coca-colas, as sangrias, brancas ou tintas, tanto faz, desde que venham frescas. Há um cheirinho a dias felizes no ar, uma nostalgia de tempo quente a lembrar toalhas de praia.

[Hoje, Praia de S. Pedro]

Ler a amizade

É surpreendente e reconfortante a sensação de reconhecimento da escrita ou da linguagem de alguém, a familiaridade com a forma de se dizer que nos permite identificar, ainda antes de confirmar, a Autoria de um texto.

Li este excerto maravilhoso sobre a amizade - vão lá, vale a pena - e ao fim de dois parágrafos tive a certeza do Autor, não o fui sequer confirmar na última linha, mas corri as palavras até ao fim na convicção firme de estar a ler Tolentino de Mendonça, alguém que sabe dizer o que nos é mais íntimo com uma beleza e elegância invulgares, abrindo as palavras ao que é Divino sem nunca esquecer o que é humano e, não raro, a divindade de um credo que não é seu.

Admirável!

Oh Valentine ...

Uma miúda gira que eu conheço - gira à brava mesmo - dizia-me este fim de semana que o único presente possível do dia dos namorados é o presente mais piroso que houver na loja. Nada de jantares fora, nada de programas de mãos dadas, nada de embrulhos caros, nada de flores em celofane, nada de fins de semana fora, nado disso!

O dia dos namorados é piroso e não há volta a dar. Assim, dizia-me a tal miúda gira, o mimo em causa, para o ser em honra de S. Valentim, tem de ser proporcional à piroseira comercial celebrativa, nunca nada menos que uma almofada-coração a dizer "amo-te muito", um postal gigantesco a dizer "Adoro-te"ou uma musiquinha que se adoptou a dois enviada por mail.

S. Valentim é pindérico, é fatela mas as demonstrações amorosas podem transbordar de ternura no assumir da pirosada extrema ou, como dizia Fernando Pessoa, "todas as cartas de amor são rídiculas, não seriam cartas de amor se não fossem rídiculas".

Assim, correndo o risco de tropeçar nas próprias pernas e perder toda a pouca credibilidade que me sobra, deixo o repto - oh minha gente, soltem a saloiada que há em vós, dêem largas à pinderéquice mais íntima e encham o dia corações fofinhos, sim?

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