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Outro Sentido

Outro Sentido

Dos animais que se dizem humanos

 

Caí na asneira de ver isto.

Ora, ISTO é um vídeo que choca não apenas pela brutalidade animalesca das jovens agressoras (sim, são duas raparigas a agredir selvaticamente uma terceira) mas também pela atitude, não apenas pacífica mas de espectadores interessados, dos rapazes que as rodeiam e que filmam a cena com o interesse grotesco e imbecilmente triste de a colocarem online.

A questão que aqui se coloca, para lá da alarvidade óbvia,  prende-se com o facto de estes jovens, familiar e socialmente educados para se comportarem como animais selvagens, crescerão com a convicção certa de que estão à margem da Lei no que às consequências dos seus actos respeita e que o facto de se comportarem como símios agressivos não lhes faz mossa ou impõe pena.

É bom que a este respeito não sobrem dúvidas a quem quer que seja – Eles sabem e os pais deles também que o sistema jurídico que nos calhou na rifa os deixará impunes.

Quem já tenha trabalhado em meia dúzia de processos tutelares educativos, sabe do que estou a falar e conhece casos reais destes tempos em que os pais são os primeiros a instruir os filhos com conselhos de não admitirem que um Juiz ou Delegado do Ministério Público lhes levante a voz. Estas crianças já aparecem em Tribunal com a postura arrogante da certeza da não condenação e de uma justiça que ajuda a perpetuar a educação de primatas.

Estas criaturas (não são gente, são criaturas) merecem (precisam) inquestionavelmente da resposta pesada e dura dos Tribunais mas sabem (e bem) que nunca a encontrarão.

 

De regresso

Isto de pular a cerca das nossas fronteiras, tem a vantagem imensa de nos abrir os olhos a gente diferente e a modos de vida tão separados dos nossos que, por breves instantes, nos esquecemos do ponto de origem. No caso em apreço, é um paliativo (eu ia dizer uma substância alucinogénia, mas adiante) adoravelmente alienante.

Em Amesterdão janta-se às 19:30, as casas vivem de grandes janelas abertas à rua sem qualquer pudor, circula-se de bicicleta ignorando a etiqueta do estatuto, tropeça-se em famílias sentadas no chão à frente de uma enorme "Ronda da noite" a discutir o quadro com os miúdos, goza-se um Parque a qualquer hora do dia ou da noite sem receio de coisa nenhuma, olha-se à volta e vê-se malta nova a jogar cartas deitada na relva ou à malha perto do lago, em vez de se enfiarem em centros comerciais e ecrans de computador.

Sair deste cantinho de brandos (mas enraízados) costumes é inspirar a plenos pulmões fora desta atrofia, é lavar a alma com museus e a vista com arte de excepção e, já agora, homens lindos de morrer acima do metro e noventa!

A verdade é que não fui só visitar uma cidade fabulosa na companhia de gente querida que me faz rir à gargalhada, fui também respirar, criar distancia deste cenário. Se é para meter água, antes a dos canais de Amesterdão, também é suja mas ao menos está engalanada em grande estilo.

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