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Outro Sentido

Outro Sentido

Porque o tamanho importa

Chega uma altura na vida de uma blogger em que se impõe divulgar lojas como esta, fruto de uma bondosa atenção ao mercado da mulher comum, dotada de formas e meia duzia de kilinhos a mais conquistados à força de demasiado trabalho e uma relação incendiada com a cozinha italiana.

O verão está à porta e o pânico do bikini ataca e é bom podermos, pelo menos, constatar que os há para todas as figurinhas.

Vá, é um post em modo de serviço público.

Ao mesmo tempo que promove uma imagem corporal positiva, a marca apoia boas causas: todos os meses doa 50 dólares a uma instituição de solidariedade sugerida pelas suas fãs. “Ama as tuas diferenças” é o mantra da Malia Mills.

 

[Claro está que isto dura apenas até ao primeiro dia de sol no areal do Guincho que fará gritar na minha cabeça a questão:"o que é que eu ando a fazer de errado na minha vida" quando toda a toalha que se preza está ocupada por uma top model tonificada que envergonhará o meu, até então, muito fashion bikini largo ...].

 

O exemplo de um povo

Não é apenas no dia-a-dia que se revela um povo mas também (sobretudo) na forma como reage a situações extremas.

Quem me enviou este mail, esteve no terreno após o terramoto de 1995 em Kobe, podendo confirmar que o que abaixo se descreve é realmente assim.

Questiono-me a quantos anos luz estamos nós deste civismo e capacidade de reacção comunitária.

 

10 things to learn from Japan:

 

1. THE CALM
Not a single visual of wild grief. Sorrow itself has been elevated.

2. THE DIGNITY
Disciplined queues for water and groceries. Not a rough word or a crude gesture.

3. THE ABILITY
The incredible architects, for instance. Buildings swayed but didn’t fall.

4. THE GRACE
People bought only what they needed for the present, so everybody could get something.

5. THE ORDER
No looting in shops. No honking and no overtaking on the roads. Just understanding.

6. THE SACRIFICE
Fifty workers stayed back to pump sea water in the N-reactors. How will they ever be repaid?

7. THE TENDERNESS
Restaurants cut prices. An unguarded ATM is left alone. The strong cared for the weak.

8. THE TRAINING
The old and the children, everyone knew exactly what to do. And they did just that.

9. THE MEDIA
They showed magnificent restraint in the bulletins. No silly reporters. Only calm reportage.

10. THE CONSCIENCE
When the power went off in a store, people put things back on the shelves and left quietly.

Da inquietude ou da fé desempoeirada

Em tempo de Quaresma, quando a ela tentamos (ao menos isso) dedicar alguma atenção, há coisas que ouvimos e que ficam a fazer eco em nós:

"A fé é a resposta humana à inquietação de Deus, ao interesse particular de Deus em cada um de nós.

 A fé - ou a ausência dela - não é a ideia redutora de crer ou não em Deus, é sim o diálogo relacional que se mantém no caminho dessa crença ou descrença. Nessa medida, para quem tem fé, a inquietação é dupla: a de Deus que procura a nossa "qualidade de vida" e a nossa "que a procuramos ora dentro, ora fora de Deus". 

Como já li em Tolentino Mendonça, esta coisa de "crer é difícil", não se pode "crer" em fatias, aqui sim e acolá já não, a fé não é compartimentável, abarca-nos, sustenta-nos como um todo, não nos divide.

Ora isto causa-me, a mim que sou inquieta por natureza - até nestas coisas da fé - pasme-se, algumas divisões.

De facto e, por um lado aceito a unicidade da fé que se me colou à alma, aceito a ideia de que se a fé é um caminho a percorrer, sou eu que escolho "finta-lo" ou não e com isso, dividir-me a mim mesma. Como as crianças, ponho as mãos à frente dos olhos e digo “não está cá”, a tentar convencer-me que não sou vista. Aceito que é uma luta feroz e diária, na qual vou sucessivamente ao colchão, estatelada, mas insisto no treino porque gosto de mim quando estou nele. Tonifica-me a estrutura, dá-me músculo para a vida e a dose espiritual de endorfinas que faz os dias felizes.

Por outro lado, e porque a Fé é una, Deus também o é e existe em tudo o que sou. Deus não me divide, isso é trabalho meu. Convenhamos, o Cozinheiro é Ele, foi Ele que misturou e baralhou uma data de genes e moléculas numa receita mais ou menos feliz, bateu tudo e juntou (demasiado) fermento, virou a forma e aqui estou eu, Maria Leonor em todo o seu esplendor com todos os desejos, fragilidades, egoísmos e inseguranças que por aqui fervilham e que, sendo obra de Deus, não são um engano da natureza, não são um erro de casting, não são fruto de uma balança mal calibrada. Deus não erra, quis-me assim.

No final da reflexão que nos foi proposta esta noite, fui convidada a afastar as mãos dos olhos e olha-lo de frente, entregando-lhe aquelas fatias que eu resolvi arrancar ao bolo e que, num momento ou outro, o esfrangalharam. A fazê-lo sem moralidades ferrugentas - Deus não é moral, é amor e o resto é oportuna construção humana – reconhecendo que não há nenhum polícia a multar-me no sinal vermelho e que, por isso, posso (devo) questiona-lo sobre o caminho, sobre os limites de velocidade, sobre os atalhos, as estradas secundárias, os sentidos proibidos, as inversões de marcha e, já agora, se ele conhece, por algum acaso, um autódromo desimpedido.

 

"Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância."

Jo, 10, 10.

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