Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Outro Sentido

Outro Sentido

Da revolução

No final da sua crónica semanal na Revista Actual e logo abaixo do endereço de email, lê-se: "Pedro Mexia escreve de acordo com a antiga ortografia".

Seja por exigência editorial ou por ostensiva tomada de posição, ainda há quem assuma o "Não ao aborto ortográfico", oferecendo crónicas de escrita informada e curiosa, recheada de acentos e consoantes mudas. À "antiga"!

Bem haja.

Dos parvos não reza a história

«Há duas regras de ouro para todo o cronista que se estreia a escrever, seja na corticite da junta ou num semanário de referência: a primeira é não dissecar o processo de escrita da sua própria crónica inaugural e a segunda, circunscrita aos dias que correm, é não se debruçar sobre o fenómeno dos Deolinda. Só neste parágrafo transgredi uma. E preparo-me para fintar a outra. Um jornal diário chamou "geração parva" à minha geração. Como estes epítetos são subgeracionais, concluí que ficarei na história como geração outrora rasca e agora parva. A música de intervenção possível para a malta nascida nos 70 e 80 não intervém, campadece-se.

"Parva que sou", dizem os Deolinda. A autocomiseração é uma arma. Contra mim falo. Sou a manhã seguinte de uma série de fogachos que a Humanidade teve com a liberdade - e agora não sei se lhe peça o número de telefone ou me feche em casa a chorar, incapaz de assumir um compromisso sério. Normalmente escolho a segunda hipótese, que é o mesmo que não escolher.

Ando a ler "Drinking at the moovies", uma banda desenhada autobirgráfica da twentysomething norte-americana Julia Wertz. Diz a autora a certa altura: "Estou contente por viver numa sociedade que espera que eu seja uma atrofiada. Assim, nunca terei de me comportar como uma adulta". E remata o desabafo pedindo a um barman "mais uma bebida ... ou cinco". Quem nos financia esta orgulhosa neura é a geração dos soixante-huitards que, não só tem reformas, como honras de francofonia para uma entrada mais elegante na Larousse desta vida».

 

Ana Markl,na Revista Actual, Jornal Expresso de 26/02/2011.

Consultório sentimental feito por quem não acerta uma na vida!

Ao almoço (isto de almoçar sozinha, pode colocar-nos nestas situações) dou por mim a degustar um belíssimo arroz de pato (bolas, estava mesmo bom) e a revirar os olhos à conversa da mesa vizinha que é impossível ignorar já que apenas três palmos separam as duas toalhas de xadrez.

 

A dada altura só me apetece abeirar-me das senhoras e segredar-lhes a célebre frase: "He´s just not that into you".

 

Às vezes sou mesmo obrigada a calar o gajo que em mim habita e que, como diria a minha amiga Diana, considera certo discurso à luz da definição maravilhosa de "conversa de marcha atrás"!

Exemplo: "Vai ter com ele, diz-lhe que queres falar com ele, apenas como amigo, que ele é uma pessoa importante na tua vida e que por isso gostarias de partilhar um sucesso teu e depois logo vês como será a reacção. Afinal de contas já foram próximos e se te sentes estruturada para o encarar não tens nada a perder" ...  Eh pá, TENS! Perdes uma brilhante oportunidade de estar calada e não ferires a tua - provavelmente já molestada - dignidade! HE´S JUST NOT THAT INTO YOOOUUUU!!!!!

 

Em poucas palavras: Tu não o queres como amigo, ele não te quer como amiga, por isso, das duas uma: ou querem os dois o mesmo (e se assim fosse, a constatação do óbvio não requereria qualquer espécie de conversa de marcha atrás nem esse enervante roer de unhas que mais parece que não comeste o mesmo arroz de pato que eu) ou mais vale cortar o mal pela raiz e ir ali até ao Guincho aproveitar este antecipado dia de Primavera que, com esse palminho de cara e essas botas HUG tão cool, ainda tropeças num surfista giraço em relação ao qual não haverá qualquer espécie de caminho a sondar.

Boa?

Isso.

 

Bom Dia

É uma semana de desafios em que, a par de muito trabalho, impõe-se inverter a maré e mostrar resultados.

Às vezes é preciso um esforço suplementar e uma coreografia diferente, mudar o jogo e procurar novos aliados para fazer face a obstáculos, outros caminhos para o mesmo destino.

Sai uma pirueta em pontas para agarrar a atenção ...

Da bola

Sou benfiquista por herança familiar, acho mesmo que é assim uma coisa que nos vem no sangue e que não admite oposição sob pena de excomunhão sucessória.

Já fui perdoada por instaurar acções contra empresas para as quais trabalhavam (ou com as quais colaboravam) alguns famíliares mas no dia em que se colocou a hipótese de uma desavença judicial com o clube da Luz, a coisa quase deu conselho de família.

Tenho andado a melgar irmão e amigos para ir à Catedral assistir a um jogo, confesso que nem tanto por aquilo que se passa dentro das quatro linhas mas pelo ambiente que acredito que se possa viver fora delas.

Porém, quando vejo imagens como aquelas do jogo de ontem, é impossível reprimir a sensação de que esta coisa dos clubes é demasiadamente feita de gente medíocre que não olha a palavras, gestos e meios para vingar maus figados através de uma postura própria de primatas zangadinhos com ataques de territorialidade.

Às vezes (sim, pasme-se, acontece), dou por mim de olhos presos a um jogo de futebol espanhol ou brasileiro, por exemplo, e aí sim, faço-o única e exclusivamente pelo jogo que, reconheço, pode ser bonito. Infelizmente, porém, a gentinha que o polui, dentro e fora dos clubes, dentro e fora das ligas, dentro e fora das arbitragens, dentro e fora das claques é, lamentavelmente, na sua grande maioria de uma mediocridade assustadora!

 

Pág. 1/4

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D

The New Yorker

Frida Kahlo

Small things

Wise Words

canto de leitura

Your house

Flower Power

Odeio o acordo ortográfico

License

Licença Creative Commons
obra licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.