Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Outro Sentido

Outro Sentido

...

Não gosto nem um bocadinho de partidos, de políticos e de politiquices e cheira-me que eles também não gostam de mim, nem de ti, nem dele, nem dela, nem deles, nem de todos nós.

 

Era só isso, boa noite e obrigado.

Clint on Manoel

"Há um português com mais de 100 anos que continua a fazer filmes. Planeio fazer a mesma coisa".

 

Em declarações proferidas durante o Festival de Cinema de Nova Iorque, Clint Eastwood respondia assim à pergunta sobre a sua reforma, numa alusão ao realizador português Manoel de Oliveira.

Vaidade e vento que passa

Dois dedos de conversa com um amigo querido e apercebo-me (ao identificar no outro) de todo o lixo inútil que carregamos e que mais valia reciclar de uma vez por todas no ponto verde mais próximo.

Nem seria assim tão mau, se esse lixo estivesse encostado num qualquer canto insignificante da massa anímica que nos enforma, largado e esquecido numa arrecadação escura e distante, sem cheirar mal e sem incomodar a vizinhança de tudo o resto que também somos.

Mas não, como sempre, o saco do lixo está ali mesmo à entrada da alma, a verter um pivete insuportável que nos infecta e a atravancar o acesso ao que de melhor se plantou nos dias. Prende movimentos, trava raciocínios, encolhe de vergonha e nisso, ele [o lixo] cresce, alimenta-se, avoluma-se, apodrece e fede.


Às vezes é preciso um amigo que nos entre pela casa adentro e nos diga alto e bom som: "oh pá, caramba, cheira mal, isso é lixo, vai lá meter o raio do saco na rua, enfia-o no contentor que não se pode estar aqui!".


Acho fabulosa a forma peremptória como tantos insistem em classificar os outros em função, não de uma vida, mas de uma fracção dela.

Sê Santo todos os anos da tua existência mas se tropeçares e ousares falhar a santidade no curto espaço de uns meses, acredita que, aos olhos de uns quantos, já te transfiguraste na encarnação do diabo, sem apelo, sem agravo ou direito de contraditório. A partir daí, será tão-somente esse instante que te define, o resto, é nada.

Oh gente pequenina da minha terra (e além fronteiras), Santos há poucos, e todos sabemos os rios de papel e burocracia que implicam alcançar o estatuto e, via de regra, esses, estão a sete palmos de terra e acreditem, algures no seu próprio percurso vital, também eles, tiveram direito às suas sombras.

A perfeição é um caminho cheio entroncamentos, lombas e buracos no asfalto, é um sinal de trânsito que alguns plantam na tola mas que não tem ponto de chegada e ainda bem. Gente que é gente, quer-se facetada e dotada de arestas para limar, quer-se esburacada, imperfeita, digna da vida que transforma no bom e no mau. Gente que assume e cresce, gente que veste o erro e usa-o, para memória futura de um outro caminho que poderia ter sido.


É isto, ser gente e ter telhados de vidro e saber que, por isso, as pedras, guardam-se no bolso (talvez para construir um castelo, sim). O resto “é vaidade e vento que passa” (se não sabem de onde isto vem, googlem a coisa e leiam o texto completo. Juro que vale a pena).

Tranquilo?

Percebo-a.

Nós podemos "escolher" fechar a porta mas não gostamos que a fechem por nós. Podem abrir-nos as portas e até segura-las para nós passarmos mas fecha-las nunca. As portas querem-se abertas, vá, no limite, encostadas, mas fechadas nem pensar que a qualquer momento a sombra cai dentro de casa e é preciso sair, olhar lá para fora, ir brincar um pouco, ao sol ou à lua.

Não me dou bem com espaços fechados, falta-me o ar e, na minha vida, quem fecha portas sou eu, ainda que depois fique a  berrar e a espernear do lado de dentro mas fui eu escolhi trancar-me a sete chaves.

Não fecha a porta! Tá? Tranquilo?

Pág. 1/3

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D

The New Yorker

Frida Kahlo

Small things

Wise Words

canto de leitura

Your house

Flower Power

Odeio o acordo ortográfico

License

Licença Creative Commons
obra licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.