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Outro Sentido

Outro Sentido

Se eu tivesse uma barra de favoritos ali ao lado, este blog estava lá, a partir de hoje, a encimar a lista!

Porque há que encarar as coisas com espírito positivo (sim, a economia paralela continua a ser encarar as coisas com espírito positivo), porque franzir o sobrolho e amaldiçoar a vida não vai descer impostos, porque rir pelo caminho, não é remédio mas faz bem (diz que exercita uma data de músculos), porque vamos mesmo ter de apertar o cinto e precisamos daquela luz (em formato de lâmpada economizadora) ao fundo do túnel que nos permite encarar os dias na perspectiva de que existirá mês ao fim do dinheiro, por tudo isto e mais meia dúzia de coisas que agora não tenho tempo para escrever (há que começar a emitir notas de honorários à actual taxa de IVA antes que seja tarde), parabéns a ESTE NOVO BLOG que se impõe divulgar.

 

Somos Tugas, malta de lamentos e brandos costumes que não irá revolucionar-se nos tempos mais próximos, não vale a pena, não vamos lá, por isso, mais vale olhar em frente e procurar a via alternativa pois a estrada principal já todos vimos onde vai dar e tem sentido único, sem "v" de volta e paga portagem (com IVA).

Ao lado dessa estrada (que está esburacada e sim, há uns quantos que dizem que tratam dela mas enfim, e o que se vê), leia-se, de tudo o que fazemos habitualmente nos circuitos habituais, há sempre a solução alternativa, as estradas secundárias, gratuitas ou baratinhas, velhinhas e esquecidas a chamar por nós. Por isso gostei muito da ideia. Vão lá espreitar, vão ...

23

23 é o número do dia.

23% de IVA a partir de Janeiro de 2010.

Sou só eu a achar que isto será um forte incentivo a uma economia paralela, isenta de facturas e recibos, sempre que tal for possível?

 

Just a thought ... É voltar à feira de Carcavelos (expulsar ciganos? Está tudo louco? já viram bem a roupinha sem IVA que se compra ali na feira?), às compras online , ao faça você mesmo, à fruta e legumes do mercado (sábado de manhã em Cascais, recomenda-se) e da horta dos senhores que vendem ali na curva a caminho de Colares etc e tal. Há ainda a chamada troca de serviços, ou seja, "arranja-me aí esta cárie que eu trato do registo da tua casa" ou "faz-me aí o projecto para eu entregar na câmara que eu contesto aquela acçãozita da PT" e por aí adiante...


Para já, é gozar este Outono que arranca em slow motion, com dias solarengos que, para já, não pagam IVA nem fazem retenções na fonte ... mas é melhor não falar muito nisso, não vá Sócrates tecê-las ...

Aeolian Ride

Inpired by a love for bikes, City cruising , critical mass, costumes, SILLYNESS and things that inflate, AEOLIAN RIDE is a free, mass participatory event with a sense of humor. It excites those riding as well as delights those watching, all the while transforming the landscape into a playground of windfilled shapes. 

The 52 suits were handmade from ripstop nylon. The 3 different styles were designed to inflate while riding at low speeds.

E pronto é isto, um pouco de tolice esvoaçante a animar as ruas de Lisboa já no próximo dia 7 de Outubro.

Toupeira

Sou instintivamente seduzida por ideias novas e inovadoras. Por isso, a arquitectura e o design são áreas artísticas que me atraêm.

Em tempos, conheci um rapaz que se sentava a uma mesa de café e, entre o açucar e o pastel de nata, rabiscava num guardanapo de papel, ideias para a traça de uma fachada ou simplesmente fases de projecto para me pedir opinião (a mim que sou de letras, era lindo). Desses tempos, ficou-me o interesse e a curiosidade, a abertura de cabeça para linhas menos tradicionais, o desviar dos olhos na procura daquele plano visual que torna a construção única pelo prolongar de uma linha, o jogo de luz, o contraste de materiais, o aproveitamento do declive no terreno e do ambiente que o rodeia.

 

[mais]

Le grand C

Gosto de conceitos simples, de cenários nus e de espectáculos que vivem daquilo que realmente é artístico.

Acabei de ver este grupo actuar na Culturgest e aconselho vivamente se ainda se arranjarem bilhetes (julgo que por lá ficam até sábado).

Uma mistura de circo e bailado, em que o equilibrio, a força e a coreografia se misturam de forma harmónica e muitas vezes bem engraçada.

A música francesa dá um encanto especial à coisa nos momentos em que aparece pois existem lapsos de puro silêncio em que se houve apenas o roçar das roupas e o arrastar dos pés.

Surpreendo-me sempre com a constatação de que as pessoas lidam mal com o silêncio, sentem-no ostensivamente como impróprio, socialmente estranho e incorrecto, tanto mais se for colectivo. Cortam o silêncio com uma tossidela, ou duas, ou três, com um comentário, uma observação, um sussurro porque a ausência de som é um sofá desconfortável com um foco incisivo. Noto-o sempre.

Mas é, inquestionavelmente, um espectáculo a ver. Para além do que é acrobático, achei os elementos coreográficos e figurativos muito bonitos - adorei a valsa "de dois andares" a lembrar uns bonecos que eu tinha em miúda que integravam na base uns ímanes que faziam a rapariga rodopiar à volta do rapaz a tocar acordeão.

Multi-tasking

Licia Ronzulli, membro do Parlamento Europeu compareceu esta semana muito bem acompanhada a uma sessão de voto em Estrasburgo .

Com o telemóvel ali ao lado, cheira-me que ouviu a proposta, discutiu-a, votou-a, embalou o filho, decidiu o jantar, mandou um SMS ao marido a dizer "amo-te muito e a caminho de casa traz a roupa da lavandaria" e outro à empregada para ela não se esquecer de aspirar a sala e sacudir os tapetes e ainda organizou a agenda do dia seguinte.

Ele há coisas que, ao mesmo tempo, só uma mulher!

Pandora e a sua caixa

Ora, reza a história que a Pandora foi a primeira mulher que existiu, tendo sido criada por um conluio de Deuses que não podia dar coisa boa e que, à vez, lhe deram todas as graças imagináveis. Hermes, porém, o parvo, pôs no seu coração a traição e a mentira. Depois, veio de lá Zeus e, como punição por os homens terem recebido de Prometeu o fogo divino, destinou-a à espécie humana, claro está.

Entretanto a bela da Pandora foi enviada a Epimeteu com o aviso severo de que a mesma não poderia nunca receber nenhum presente dos Deuses. Só que o Epimeteu, completamente ceguinho pela figuraça da moça, meteu-lhe a aliança no dedo e resolveu ofercer-lhe, nada mais, nada menos que uma caixinha que lhe haviam dado os Deuses [bolas, avisaram-te pá] e que continha, coisa pouca, leia-se, todos os males e mais algum a chocalhar dentro da lata. Deu a caixa à mulher, avisando-a [divina ignorância] que não a abrisse nunca. Pandora não resistiu à curiosidade - pasme-se - e abriu a caixa, fazendo com que se escapassem para o mundo todos os males de que há memória e mais uns quantos por inventar. Por mais que tentasse voltar a pôr a tampa no lugar, chapéu, nada feito, os males estavam lançados aos homens e daí em diante, restava-lhe apenas uma coisa, a esperança.

 

Há coisas que guardamos no fundo de nós e do armário que alberga a tralha mais querida de um outro tempo, o refugo da nossa idade da inocência, escondida em pequenos cofres fechados, não se vão eles abrir e soltar cá para fora as maravilhas que só se vivem com certa idade ou as leviandades de quem acha que tem toda a eternidade pela frente.

Abrir esta arca dos tesouros é perceber porque é que as fotografias antigas têm sempre uma luz própria que não tem nada a ver com a má qualidade do papel, a revelação gasta ou o flash quadrado que se encaixava no topo da máquina e rodava a cada clic, não, aquilo é a nebelina que nos protege da pontada, é a cortina que ampara o embate com o cenário desse outro tempo. Sem ela, aquela imagem seria demasiado real, assim ao menos, colocamo-la lá longe, "ah e tal isto foi há séculos, numa outra vida" e assim nos desculpamos a nós mesmos.

Hoje subi as escadas e entrei na gruta de Aladino o que é o mesmo que dizer que subi o escadote e abri as portas de cima do armário do meu antigo quarto na casa dos meus pais. Ali encontrei dezenas de livros que os olhinhos da minha sobrinha devoraram - os sete, os cinco, as colecções "mistério" e "uma aventura", a ilha do tesouro, as Patricias, o Robison Crusué, o Sandokan, as gémeas de Santa Clara, o pequeno lorde e mais e mais e mais.

Vou passando os livros amarelados pelas mãos entre suspiros e sorrisos, o verdadeiro encanto de abracadabra, até que me falha um espaço de lombada estranhamente preenchido por  uma lateral preta de plástico. Lá estava ela, a minha caixa - selada com tampa transparente e fitas de ráfia cor-de-laranja e um porta-chaves ao de cima (ainda com as chaves).

Não abras, deixa-a aí.

Mas qual Pandora [mas menos gira], eu abri-a e vejo saltar lá de dentro dezenas de folhas de papel vincadas e preenchidas com o desalinho de uma letra que tem pressa e não quer esquecer nada, páginas a lembrar que há um tempo na vida em que todas as palavras são válidas e que não há absurdos verbais, nem indizíveis impróprios, em que nenhuma imagem vale por mil palavras e que todas as que se repetem até à exaustão, parece que são sempre poucas, com o coração a sair à desgarrada da Bic azul.

Recebo aquilo como soco no estômago mas leio cada palavra do alto dos anos que me vêem estúpida e receio não me lembrar de tudo, de ter guardado só cartas de amor e fotografias amarelecidas em que sou demasiado miúda [com o meu top de florzinhas que cruzava nas costas], de só ver instantes magníficos de momentos altos, de ter ficado com a recordação especial do que foi único e irrepetível, na ternura do que é pela primeira vez.

Acho que me esqueci e faz-me impressão, eu não pedi essa erosão de memória, caramba, tivesse eu sabido guarda-la e teria tido sempre um um momento de referência, saberia sempre que nunca menos do que aquilo.

Aquilo o quê?

Aquilo que me faz encontrar hoje alguém num espaço público e ser apenas capaz de balbuciar um idiota, "olá, tudo bem?".

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