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Outro Sentido

Outro Sentido

Ah, é verdade...

E descobri a "CUORE" (quem tem amigas, tem tudo) e assim, todo um novo mundo de ausência de photoshop se abriu no meu horizonte e fez com que as minhas pernas, coxas e caracóis desalinhasdos se parecessem belos e únicos.

Ao que se chega quando se acha que o paparazzi não está por perto, é a decadência, a mais hilariante e crua decadência.

Azimute

Se isto fosse o Facebook, as fotos abaixo teriam várias tags de gente querida, às quais se sucederiam muitos likes e vários comentários a lembrar dias bem passados, noites regadas a branco e picadelas de mosquitos, miúdos e graúdos, grelhados de carne, filetes de peixe, peixe sem ser em filetes e pataniscas de polvo, mergulhos e mais mergulhos e mais mergulhos, bolas de berlim e imperiais e uma garrafa de Baileys que marchou todinha em finais de tarde de cavaqueira, livros que se arrastam pela praia e toalhas e cangas ao sol.

 

E no meio disto tudo, a meio de um jantar atribulado, haveria ainda espaço para um abracinho querido de mano e meia dúzia de palavras lançadas ao desespero de quem já as sufocava e precisava mesmo, mesmo de as deixar ali, entre o Dom Rodrigo e o café e, em troca, receber o alívio e o discernimento, aquela ideia de que o fardo partilhado se torna mais leve e deixar que alguém diferente pense também um bocadinho por nós e connosco, longe de lugares comuns, ideias pré-concebidas, e proteccionismos para os quais já ninguém tem idade ou paciência, a isenção de quem menos se espera e que por isso vale ouro, já agora, para assim sabermos que o assombro do reflexo, afinal não nos torna um espécime feio e único, destacado na paisagem da câmara dos horrores e que, de uma forma ou outra, o passo dado até foi o correcto, apesar de tudo o que falta [e faz falta] e tudo o mais que se gostaria ainda e ainda e ainda e assim atravessar o deserto dos silêncios que nos impõem sem nós pedirmos mas tentar [sempre] deixar uma pegada [leve que o seja] do que foi bom e que se quer guardar assim.

Nisso, ao menos, eu e o meu irmão, somos iguais, guardar sempre o bom, lembrar sempre o bom, o resto, assimila-se e recicla-se.

Depois disso, voltar aos livros, com a cabeça que às vezes ainda foge para outros cenários feitos de lua e caipirinhas mas que já guarda também linhas de sonho que aspiram sempre a mais, a perfeição que não se esgota nunca e para qual apontamos sempre, desistir é impossível, procurar até não ter dedos para esgravatar mais coisa nenhuma.

Amei [e amo] de perdição Vergílio Ferreira mas agora, divido-me, à traição e partilho-me com Lobo Antunes.

É assim, quando algo se fractura dentro de nós, já não há "v" de volta mas guardamos o bom e o bonito em muitas páginas que de tão sublinhadas, parece que não sobra livro:

"

Amo-te tanto que te não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio".

[António Lobo Antunes, in "Memória de elefante"]

E amanhã

... rumar ao sul [acho que o bólide já faz a estrada sozinho] para uma outra praia que se diz verde, ao encontro de manos, sobrinha e um batalhão de amigos, um mar que insistem em afiançar-me que está à temperatura de sopa e uma noite de sábado que se adivinha animada.

Foi assim que se gozaram, férias este ano, vários fins-de-semana compridos ao sol e à lua.

Um óptimo fim-de-semana para todos.

Esta é a minha praia

De verão e de Inverno, com ou sem vento (quase sempre com).

Não sei se existirão muitos lugares no mundo com esta combinação de paisagem - serra, mar e dunas a atolar os carros que insistem em estacionar à beira da estrada e a achar que a areia não desce e ela desce sempre.

Praia onde se misturam as toalhas dos surfistas, dos windsurfistas e dos bodyboarders com as das famílias recheadas de filhos já a aprender as artes de prancha, onde a cada mergulho o bikini nunca (mas nunca) fica no sítio e onde, com a água pelos joelhos, se sente o remoínho a puxar com força e a avisar cautela, onde os guarda-sóis mais incautos voam escandalosamente e os pára-ventos mostram as suas cores no chão, a espreitar as velas e os papagaios que se vêem no mar e no céu.

Não há tédio nesta praia e o bar tem música da boa e gente feliz atrás do balcão e servem morangoscas, tostas, cachorros, gelados e têm mesas e cadeiras e poufs.

Uma praia onde a bandeira se instalou vermelha e na qual, de um momento para o outro, desce uma nuvem lá de cima, uma aragem sabe-se lá de onde e instala-se um dia frio que pode mudar uma hora depois e que obriga a rodilhos de toalhas e cangas para escapar ao vento e à areia.

O Guincho é a minha praia e hoje o mar estava assim, estranhamente, calminho (há outra que se diz d´Água d´Alto, mas essa é outra história).

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