Sábado, 19 de Abril de 2014

Acompanhar

Edvard Munch (1863-1944). "Golgotha", (1900).

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By Leonor às 00:31
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Metanóia

É costume dizer relativamente àquilo que nos é originariamente simples, que é tão fácil como respirar, mas se há coisa que aprendi nestes últimos dias, é que respirar não é fácil e que, a maioria de nós, não o sabe fazer ou faz mal. Respiramos na exacta medida dos tempos - depressa, com ansiedade, com pânico, com stress, com exigências que não são as do corpo que nos desenharam. Respiramos pela metade, seja com a de cima ou a de baixo, mas não respiramos a plenos pulmões, não conhecemos a arte de parar para encher a barriga, depois o tórax, depois o peito, deixar o ar entrar e depois deixa-lo sair, até ao fim, e senti-lo, de forma consciente.

Parar é outra questão, é que para respirarmos decentemente, temos de aprender a parar, seja lá onde for, seja lá quando for, e isto de parar e não fazer népia está cada vez menos inscrito no nosso código genético. Olha, agora vou ali sentar-me e ficar paradinho a respirar sem fazer mais nada durante quinze minutos; isto é coisa para qualquer um revirar os olhos e achar que nos falta um parafuso, ou dois, ou pior, que fomos atacado por esse mal imperdoável da preguiça. Às vezes observo os meus gatos a dormir ao sol, a encher e a esvaziar a barriga e a esticarem-se, depois, em posições desafiantes de um mestre de yoga e dou por mim a pensar que alguma sabedoria felina me está a escapar.

Estas, são questões que nos surgem - mais cedo ou mais tarde - em determinadas fases da vida, normalmente, de ruptura. Acontecem-nos quando puxamos de tal modo por nós, que algo se quebra e somos, à força, obrigados a repensar os nossos limites, os nossos propósitos, as nossas prioridades, a eterna questão do que é que andamos para aqui a fazer. É também nestes momentos que experimentamos o outro lado do espelho, que acolhemos a possibilidade daquilo de que sempre desconfiamos e até damos o benefício da dúvida a essa experiência, e eu tenho para mim que o acumular de experiências gratificantes é sempre enriquecimento pessoal e que isso, inevitavelmente, me faz feliz, ou mais feliz.

Isto para dizer, que, no fim de semana passado, rumei ao norte na companhia de três amigas; cada uma com a sua história e percurso; procurávamos, antes de mais, uns dias de fuga - que bom que é poder escapar aos lugares e companhias da nossa rotina e fazê-lo de vez em quando. Aproveitamos a viagem para pôr a cavaqueira em dia e espraiar saudavelmente o disparate, depois, recolhemo-nos ao silêncio de um lugar especial e iniciamo-nos neste treino da quietude, nesta atenção ao acto de inspirar e expirar, de estar apenas com a atenção focada nesse momento, tentando afastar qualquer pensamento que se aproximasse ou permitindo que ele ficasse ali a fazer companhia, desde que não fizesse demasiado barulho e talvez, só talvez, trouxesse respostas. Está-se e espera-se coisa nenhuma.

É uma experiência, pode ser uma revelação, pode ser uma prática, pode ser um recomeço, pode ser uma descoberta, pode ser uma desilusão, pode ser algo que se esquece daqui a uns dias mas pode, também, ser que algo tenha acordado cá dentro - não consigo deixar de sorrir ao paradoxo: ficar quieta de olhos fechados para acordar para algo de novo - mas sei que ficou a vontade, a certeza de alguma coisa necessária e que pode ser tão transformadora quanto difícil.

Assim, sendo deixo a proposta socialmente incorrecta: sente-se, deite-se e não faça rigorosamente nada!

By Leonor às 01:36
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Terça-feira, 8 de Abril de 2014

Ali na rua, num dia de Primavera

Cruzo-me, a meio da Rua, com uma mulher a passear um cão pela trela.

A mulher tem uma perna mais comprida do que a outra e um sapato pesado, de sola compensada, que a obriga a um balançar do corpo.

Ao cão, falta-lhe uma pata.

A mulher sorri ao sol e está feliz.

O cão abana a cauda e saltita à volta dela.

Penso para comigo que nos aproximamos sempre do nosso semelhante, que nos apaixonamos sempre por nós mesmos.

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By Leonor às 12:47
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Quinta-feira, 3 de Abril de 2014

Existe em mim uma romântica incurável que se derrete infantilmente com estas coisas.

By Leonor às 09:46
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Domingo, 30 de Março de 2014

Cenas do quotidiano

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By Leonor às 15:27
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Quinta-feira, 27 de Março de 2014

Crescer

[Ilustração de Alba Marina Rivera]

By Leonor às 10:23
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Sábado, 22 de Março de 2014

Bom fim de semana

Algo que se aprende com o tempo.

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By Leonor às 10:20
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Quinta-feira, 20 de Março de 2014

Bom dia

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By Leonor às 10:08
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Quarta-feira, 19 de Março de 2014

Pai

Pai é a tempo inteiro, quando está perto e quando está longe e até quando já cá não está, mas ainda se ouve, como um eco que ressoa cá dentro. Pai é porto de abrigo, é protecção que não acaba com a infância, com a adolescência ou com a idade adulta. Pai é a bússola, é o conselho de sempre, a opinião superior carregada da autoridade de quem nos conhece e sabe mais da existência. Pai é querer ainda dançar em cima dos pés dele e é a voz mais forte que se impõe a ordenar o caos e a ajeitar os alicerces que a vida se encarrega de chocalhar. Pai é o disparate que nos faz rir mais do que os outros só porque vem dele e é sempre o melhor pai do mundo.


A todos os pais, àqueles que me rodeiam e de que tanto me orgulho, ao meu, em particular, um feliz dia do pai.

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By Leonor às 09:27
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Terça-feira, 18 de Março de 2014

Ao virar de uma esquina

Tropeçar assim, numa obra de arte, ao virar da esquina, numa parede esquecida de um prédio sem graça e achar que a cidade pode ser uma galeria à borla e que a arte de rua é uma forma artística de valor, capaz de embelezar os cantos mais deprimentes da nossa vivência urbana. Não é por cá, fica algures na vizinha Espanha e continuo a gostar disto, muito mesmo.

By Leonor às 13:36
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Sábado, 8 de Março de 2014

Para a série "Ballerina Girl"

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By Leonor às 12:42
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Quarta-feira, 5 de Março de 2014

Cinzas

Acordo, já noite, para a recordação de que é quarta feira de cinzas. Ao meu lado, alguém pergunta: porquê as cinzas?

Vem-me à cabeça a imagem de um pó fininho, a perder-se entre os dedos de uma mão, milhões de partículas de nada, que se perdem no ar a um suspiro de brisa.

Cinzas, ou aquilo que sobra de nós quando nos deixamos arder em coisa nenhuma, a poeira que se varre para a calçada e que se perde na terra à qual voltamos. Cinzas, a lembrar que a vida é efémera - não tarda nada, já acabou - e nós, esquecidos, olhamos para ela com um misto de ternura e desperdício, afinal de contas, amanhã também é dia, até ao dia em que já não for.

Cinzas que são matéria queimada, para que, entre silêncios, percebamos que o tempo é agora, é aqui; uma lição de humildade - coisa pouco em voga nestes tempos - a vanglória da altivez sobranceira dos holofotes, ao invés da modéstia construtiva dos bastidores; já nem o bem sabemos fazer sem o anunciar ao mundo, como criançolas à procura de recompensa, uma palmadinha nas costas e um doce a premiar o quadro de honra. Porém, o tal livro mais vendido e menos lido do mundo, lá diz: Guardai-vos de fazer as vossas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles (...), como fazem os hipócritas (...) a fim de serem louvados pelos homens (Mateus 6, 1-2) - caminhos difíceis, estes.

No grande grande Ecran, o diabo interpretado por Al Pacino, pisca um olho, dá um estalo com a língua e confessa: "Vanity, definitely, my favorite sin"*. Assim é, cinzas, ou uma lição antiga segundo a qual, tudo é vaidade e vento que passa (Eclesiastes) e por isso, há que fincar o pé e criar raízes em algo mais que nos transforme, porque desde tempos imemoriais há histórias contadas que nos falam de um renascer das cinzas, de uma renovação que acontece quando chegamos a esse ponto minusculo do nada humano.

 

[*O Advogado do Diabo, 1997].

By Leonor às 21:36
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Sábado, 1 de Março de 2014

Bom fim de semana

By Leonor às 10:10
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Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2014

Das ausências.

Há essa coisa estranha de ter ver a circular, intermitentemente, nos espaços femininos que habito; ver-te, predador, a avançar pela tela branca que é a minha casa, primeiro curioso, depois à vontade, a espalhar presença a cada canto, com os jornais de fim de semana estendidos pelo chão, a esconder os florões do Arraiolos. Há esse instinto felino que se impõe, a marcar território, desordeiro, todo ele gajo, comme il faut. Descubro que a televisão por cabo tem canais desportivos cuja existência eu nem suspeitava e que se grelham, cozem e fritam salsichas, assim como há mil formas de fazer omeletas e que não se perdoa a uma dispensa a ausência de malaguetas. Descubro que o policial é um género literário e que o Expresso não é só feito da Única e da Actual. Descubro que há uma linha de formalismo que separa os pólos das T-shirts e que uns e outros são sempre poucos. Descubro que um jantar leve não é sopa e fruta, mas sim sopa e um sandes de presunto com queijo e um copo de tinto - leve, claro. E depois, há a questão dos interruptores que andas a fechar a cada passo que eu dou, a resmungar com o gasto desnecessário - "estás aqui ou estás lá dentro"? -, e eu lá vou assimilando a coisa, do mesmo modo que me conformo com a janela da varanda sempre aberta, como se estivéssemos em Agosto e na Rua não caísse uma chuva desalmada que se entranha nas paredes e nos ossos, com um frio cortante de hibernar qualquer um debaixo de várias mantas mas que, a ti, te passa ao lado, sempre a cirandar em mangas de t-shirt, enquanto eu me enrodilho em camadas de camisolas interiores e exteriores. Há essas coisas todas, quando apareces e, depois, há ausência delas quando não estás.

Quando é que uma ausência se torna ausência?

By Leonor às 21:16
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014

A relevância (e a actualidade) das primeiras linhas de um livro.

"Nem todas as mortes são iguais. Mesmo no crime, existe um sistema de castas. A morte à facada de um miserável condutor de riquexó não passa de uma estatística, enterrada nas páginas interiores do jornal. Mas o assassínio de uma celebridade torna-se instantaneamente assunto de primeira página. Porque os ricos e os famosos raramente são assassinados. Vivem vidas de cinco estrelas e, a não ser que morram de uma overdose de cocaína ou de um acidente insólito, têm normalmente uma morte de cinco estrelas numa boa idade avançada, tendo entretanto aumentado tanto estirpe como a fortuna."

Seis suspeitos, Vikas Swarup.

By Leonor às 08:48
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Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

No CCB

By Leonor às 09:36
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Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014

Bom dia e uns links para arrancar a semana

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By Leonor às 08:30
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Sábado, 22 de Fevereiro de 2014

O meu bookclub é melhor do que o teu bookclub

[via delito de opinião]

By Leonor às 13:37
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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014

Ah, o amor!

[Os amantes, de René Magritte]

 

Todos sabemos aquilo que o Miguel Esteves Cardoso diz que o amor é e, no entanto, não há quem escreva mais e melhor sobre o seu amor pela Maria João. A alquimia do amor é assim, difícil e boa, trabalhosa e compensadora, inesperada e rotineira, amarga e doce, infinita enquanto dura e dilacerante quando acaba; mas todos rondamos e persistimos na procura desse santo Graal, mesmo que ele nos leve ao colchão um número incontável de vezes ao longo da vida.

Se histórias de amor há muitas, de desamor, há outras tantas e de amores em banho Maria, então nem se fala.

A estranha pintura de Magritte não é um turn off amoroso, é um aviso, um daqueles sinais de estrada que devíamos manter debaixo de olho no nosso percurso amoroso. O amor gasta-se, sofre erosão como tudo o mais neste mundo e sobrevive, às vezes, de gestos mecânicos, beijos dados como apertos de mão, palavras ditas por hábito que já nem se lhes lembra mais o sentido. Os panos que cobrem as cabeças dos amantes dizem-nos que amor pode ser solidão e que não há solidão maior do que aquela que se sente quando se está acompanhado, dizem-nos que as frustrações amorosas somos nós também que as construímos ao impormos barreiras e limites à conquista do outro e à descoberta da nossa natureza mais íntima.

O amor é feito dessa conquista e descoberta e, depois, é desbravar a dois através do tempo e da vidinha que é uma chata e que tudo engole, e é persistência, uma prova atlética de endurance, perseverança e consciência dela, para que os panos se desfaçam e um beijo seja realmente um beijo, e que a inadvertida ausência de um  aparente gesto de rotina seja finalmente notada como um vazio que faz falta, para que aquela volta que o lenço dá no pescoço do homem se desenlace e não sufoque ninguém, porque o amor também é espaço de liberdade alicerçada em confiança.

Por isso, não, este não é um texto para estragar S. Valentim; aliás, andei a pesquisar e descobri que o tal do Valentim foi um Bispo que, alegadamente, celebrava casamentos contra a Lei Romana que os proibia pois queria homens desimpedidos do vínculo matrimonial para preencher as fileiras de exércitos.  Porque violou a norma, o Valentim foi preso e, no cárcere, foi visitado por uma mulher cega por quem se apaixonou. O milagre desse amor devolveu a visão à mulher e permitiu que o Valentim lhe escrevesse missivas amorosas em que assinava: "Seu, Valentim". O nosso herói foi morto, como tantas vezes acontece aos trágicos amores impossíveis, mas a história ficou, e a 14 de Fevereiro, o mundo celebra o amor, essa força anímica que move montanhas e que devolve a capacidade de ver com outros olhos e que nos embala e consola os dias difíceis e ilumina todos os outros.

By Leonor às 09:26
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

A relevância das primeiras linhas de um livro

"Mas na metrópole há cerejas. Cerejas grandes e luzidias que as raparigas põem nas orelhas a fazer de brincos. Raparigas bonitas como só as da metrópole podem ser. As raparigas daqui não sabem como são as cerejas, dizem que são como as pitangas. Ainda que sejam, nunca as vi com brincos de pitangas a rirem-se umas com as outras como as raparigas da metrópole fazem nas fotografias".

 

O Retorno, Dulce Maria Cardoso.

By Leonor às 21:12
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