Terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Companhia de pequeno almoço

Montserrat Gudiol.jpg

 

[Montserrat Gudiol]

Porque é que escolhemos certas imagens em vez de outras? Porque é que, numa galeria de arte, torcemos o nariz a um quadro e ficamos deslumbrados com outro? 

Cada obra transmite algo com que nos identificamos ou não. Podemos admirar a técnica artística, mas a estética, essa, é pessoal, e a mensagem que um lê, pode ser diferente daquela que o olhar vizinho interpreta e ambos podem nada ter a ver com aquilo que o pintor quis dar.
Ao olharmos, por exemplo, para um quadro de Vermeer, podemos ver apenas a representação, a magia dos jogos de luz, a mestria das sombras, dos detalhes, das cores. Mas se lermos um pouco sobre a pintura da época, percebemos que aquelas personagens nunca são apenas gente captada num instante; há, quase sempre, uma mensagem que os olhos daquele tempo sabiam ler, mas que os nossos, habituados que estão a legendas, têm de procurar, aprender e interpretar.
Esse, é um trabalho que gosto de fazer, buscar o sentido de um quadro; a leitura íntima que é minha, a mensagem pessoal do artista e aquilo que outros olhos vêem.
Hoje, logo de manhã, entre o galão e duas fatias de pão de mistura com queijo flamengo, tropecei nesta obra de Montserrat Gudiol. É um daqueles quadros em que me fixo imediatamente à procura de sentido, porque a estética e o ambiente em que se desenvolve, têm já tudo a ver comigo. Começo a pensar se o silêncio que lá está tão bem pintado, existe dentro da mulher de joelhos, quase caída, uma mão à frente e outra a amparar as costas. O conjunto parece transmitir serenidade, até o rosto dela  se mostra tranquilo, mas é a postura do corpo que me coloca a pergunta. Uma mulher calma que se prostra caída de joelhos ao chão, terá uma qualquer tempestade interior que a lança nessa atitude, num local isolado, cheio de quietude. Quantas vezes procuramos lugares assim, para estarmos, simplesmente, virados para dentro, sozinhos, desprendidos, em sigilo.

By Leonor às 08:54
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Era uma casa muito engraçada ...

Não tinha tecto, não tinha nada!

By Leonor às 10:29
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Knock Knock

 

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By Leonor às 08:45
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

A propósito das Estrelas

2014-10-22 13.17.53[1].jpg

Adília Lopes, in Dobra, poesia reunida.

A lembrar que, às vezes, no Verão, parece que as estrelas se exibem em várias profundidades de noite, vaidosas e frequentemente cadentes, e que nós, podemos sentar-nos debaixo delas, em duas espreguiçadeiras próximas, a contar os traços que caêm do céu e a formular desejos infantis, enquanto os grilos se fazem ouvir e os mosquitos procuram alimento. Noites dessas ficam guardadas na memória, para que as busquemos quando é preciso, só para esboçar um sorriso, algures, no meio de um dia insignificante.

Já estás a sorrir?

 

By Leonor às 15:18
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Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Tatuagem

Tatoo & books.jpg

E depois de jantarada de amigas em que as tatuagens foram, entre outros, tema de conversa, não resisto à provocação.

Sounds like: Tatuagem - Chico Buarque
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By Leonor às 12:24
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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

It runs in the family

2014-10-18 11.14.48.jpg

Esta rapariga bem apessoada faz música e parece que tem CD novo a caminho. Fui ouvi-la ao YouTube e reconheço que tem voz bonita e forte, falta saber o que aí vem. Em entrevista recente à sua própria mãe, explicou o seu processo criativo de fazer letra e musica-la, contrapondo a diferença entre escrever um poema e escrever com intenção musical, pois nem todo o poema é "musicável" e alguns poemas já têm a sua própria musicalidade e ritmo, não se lhes pode dar outros. Um texto pode ser lindo no papel e, no entanto, as palavras que o compõem podem não ser cantáveis; quando se escreve para música, tem de se considerar a musicalidade de cada palavra, a presença e ausência de vogais e consoantes.

No que respeita aos temas das suas canções, o céu é o limite e dá, literalmente, o exemplo do famoso (maravilhoso, inesquecível, intemporal) Space Oddity, de David Bowie, que fala de um astronauta, de seu nome Major Tom, e que foi inspirada no filme "2001, Odisseia no Espaço". É certo, diz ela, que talvez não se lembrasse, logo de manhã, de escrever uma música sobre um astronauta a pairar no espaço, mas, na verdade, e porque não? O importante é contar uma história, os melhores letristas arrastam-nos para uma história.

A moça em questão chama-se Sophie Auster, foi entrevistada pela mãe, Suri Hustvedt e é filha de Paul Auster... e esta, hein?

By Leonor às 14:56
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Domingo, 19 de Outubro de 2014

A Regra nº 10

IMG_20141019_012126[1].jpg

Fim de semana a encontrar coisas fabulosas nas revistas e jornais que me rodeiam. Para já, fica este recorte da Porter, e a décima "golden life rule" de Melinda Gates.

Tenho a sorte de saber, por experiência, que isto é um bom princípio de vida, e sei porque cresci a discutir livros em casa; fui, desde cedo, desafiada a ler livros e autores que nunca teria conhecido, em tão tenra idade, se não tivesse uma mãe com raízes culturais bem assentes na literatura e na cultura francesas e um pai curioso com uma visão mais alargada da história e da ciência. Com ela, travei conhecimento com Simone de Beauvoir, Marguerite Duras, Sartre, Zola e tantos outros, mas li também Jorge Amado, Kundera, Stendhal, Durrel, Eça; com ele, interessei-me pelo Cosmos e Carl Sagan, e assuntos sobre Ovnis e a possibilidade de vida para além da terra, e história de Portugal e o National Geographic. Estes, sempre foram - e são - assuntos de conversa à mesa.

Hoje, tenho ainda a benção - porque o é, uma benção - de dar continuidade a este exercício com um grupo de mulheres tão incrível, quanto diversificado; mulheres leitoras, à séria, cada uma dentro dos seus estilos e dos seus gostos pessoais; umas a puxar aos clássicos, outras aos contemporâneos, umas ao romances, outras aos contos, umas à poesia, outras à prosa, mas todas a puxar umas pelas outras. Falar sobre livros neste contexto é uma aprendizagem colectiva em modo continuo, é um crescimento inestimável, porque o olhar de cada uma é diferente e, com isso, acrescentamos algo àquilo que já era nosso. Cresce a lista de leituras em direcções que nunca teríamos imaginado e amadurece o nosso olhar sobre os livros, aguça-se a exigência.

Por isso, sim, concordo com Melinda Gates, ler colectivamente é uma regra de ouro para a vida, profunda e subtilmente enriquecedora.

As outras nove?

Aqui ficam:

  1. Confie em si próprio, cada um tem uma verdade interior e é preciso saber ouvi-la.
  2. Arranje tempo para reflectir em silêncio.
  3. Cultive grandes amigos e mantenha-os por perto, partilhe com eles experiências e lições.
  4. Seja um eterno aprendiz, arranje novos interesses, volte às matérias da escola, ficará surpreendido com aquilo que não sabe e com o que o mundo tem para dar.
  5. Alargue os seus horizontes em relação ao que se passa à sua volta.
  6. Procure uma ligação profunda com o outro, a nossa humanidade é aquilo que temos em comum.
  7. Durma bem e, já agora, faça exercício.
  8. Ria bem alto, tantas vezes quanto possível, ria com outros e ria de si mesmo.
  9. Ensine os seus valores aos seus filhos, ensine-os a pensar sobre as coisas realmente importantes da vida...

e a 10ª: Leia livros com os seus amigos e com a sua família e fale sobre eles. Aprenderá e crescerá mais quando o fizer colectivamente.

By Leonor às 16:46
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

...

Into the Dark by Leah Gunn.jpg

 

[Into the dark, Leah Gun] 

O desentendimento é uma muralha entre duas pessoas, às vezes, mais densa do que se fosse feita de betão, e a incapacidade de calçar os sapatos do outro e ver a vida do lado de lá, é o arame farpado que a alteia.

Neste contexto, só há silêncios frios e torres de vigia, olhos atentos aos passos em falta que imediatamente se apontam com um foco luminoso, todo ele denunciador, lá do alto dos telhados de vidro.

Para derrubar este muro, é necessária uma revolução de cedências, de aceitações, de respeitos, de perspectivas, que permitam, finalmente, ver o outro do lado de lá, vê-lo mesmo, como um espelho, talvez, vê-lo nos seus contornos e não querer derruba-lo, não querer expropria-lo; chegar-lhe apenas, uma ponte e uma bandeira branca, aberta a conversações.

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By Leonor às 09:44
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

The New Yorker

CoverStory-Fall-Library-Tom-Gauld-690-938.jpg

 

Em comentário à deliciosa capa que a revista The New Yorker escolheu para a edição desta semana, pode ler-se: When Tom Gauld sent the first sketch for this week’s cover, “Fall Library,” we discussed a variant where the woman was holding an electronic-book reader. “But I decided against the e-reader,” Gauld says. The image “ended up having too much going on, which made it less interesting. I think the fact that she’s holding one of her millions of books is what’s nice.” 

Concordo.

 

By Leonor às 09:05
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

Arrancado às páginas do programa da temporada 2014 da Companhia Nacional de Bailado

2014-10-12_21.27.21[1].jpg

 

By Leonor às 08:05
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Where is Wally?

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By Leonor às 11:44
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

Oh tiaaaaaaaa

Não sou mãe; creio que nos desígnios de Deus estava prevista a decisão de que eu fosse muitas coisas ao mesmo tempo, sendo que essa multiplicidade seria contida com a dedicação incondicional da maternidade. Hoje, sou a tia, a madrinha, a irmã, a amiga, a mulher, a filha, a patroa. Todo o tempo que dedicaria aos filhos, vejo-o dividido e repartido e, mesmo assim, ele nunca chega, antes pelo contrário, sobra-me sempre o telefonema que não fiz, o mail que não escrevi, a pessoa que não visitei, o gesto que faltou, a atenção que não dei, o trabalho que ficou para o dia seguinte, o projecto que se adiou.

Já a tive, mas hoje não tenho, nem uma gota de mágoa em relação à ausência da maternidade; sou feliz assim, gosto da minha vida, sinto-me inteira dentro dela. Deus lá sabe o que faz. Alguns terão de existir para que o sejam para muitos. Parece-me justo, estou de bem com esse destino.

Gosto dos meus dias e do que cabe dentro deles, gosto mais ainda do que lhes descubro, do que neles cai inadvertidamente e de tudo o que determino que neles deverá acontecer. Aprendi recentemente a gerir o tempo, a equilibrar os dias com aquilo que neles deve existir para que eu chegue ao final de cada jornada com a sensação de que valeu a pena.

Nos últimos dois dias, tive a minha sobrinha cá em casa e, neste tempo, estudei história e português, regateei horas de estudo com compensações de sobremesa, obriguei a saídas de lençóis para lavagem de dentes, impus horas, fiz massagens e cafunés e cuidei de entorses. Ouvi-a na cozinha a ajudar o tio a fazer o jantar, os dois a discutir como temperar o frango. Tentei responder a muitos "porquês", depilei meia perna com cera fria e deixei a outra porque dói, preparei lanches, acordei mais cedo para tudo estar pronto a horas de chegar à escola a tempo de ainda rever a matéria do teste da manhã.

E isto é tão precioso e rico (já sei que amanhã tenho meio mundo a querer deixar as crianças em casa da tia, e a tia não se importa porque é para isso que elas servem, as tias). Durante muitos anos odiava que me chamassem tia, soava-me sempre à mal afamada expressão: "vais ficar para tia". Se soubesse o que sei hoje, teria, desde cedo, sido tia até à medula, porque é esse o meu contexto, é esse o meu habitat, o tal em que eu respiro, existo e, ao mesmo tempo e no meio de uma outra infinidade de coisas, sou tia de coração inteiro, e gosto de saber que há dias por semana em que eles são o melhor das minhas 24 horas, e que me fazem rir e zangar e fazer as pazes e pedir desculpa e abraçar e dar beijocas e tudo mais que é bom, e ouvi-los dizer entre a pedinchice e a hesitação; "oh tiiiiiaaaaaaaaaaaaaaa".

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By Leonor às 23:40
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

leituras

Gosto tanto de começar a ler um texto desconhecido, sentir-me profundamente tocada por ele, sublinha-lo, digeri-lo, reescreve-lo num caderno e chegar ao fim da página e descobrir que o seu autor é aquele escritor que tanto admiro, leio e colecciono. Há qualquer de universalmente certo quando este fenómeno de identificação se dá pela leitura de linhas inicialmente anónimas, crescentemente familiares e finalmente reconhecidas, como se o escritor e o leitor tivessem já um laço, uma irmandade. 

By Leonor às 23:39
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Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Quero!

By Leonor às 13:02
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leite e legumes para a sopa

[Manhã de setembro na Marina de Cascais - instagram]

 

É certo e sabido que os dias estão mais curtos e que, de manhã, há um fresco inesperado que obriga a uma echarpe no pescoço e uma malha de agasalho. Mas, depois, o céu compõe-se, vem de lá um sol morninho que arrasta um verão hesitante para dias de Outono já assinalados no calendário. Baralham-se as sandálias com as botas, as mangas curtas com as compridas e parece que só as alças foram, irremediavelmente, lançadas para o fundo da gaveta. De resto, vive-se. Às vezes, madruga-se, para um footing matinal que dias chuvosos poderão não permitir em breve, e arranca-se para o trabalho, de seguida, ali ao lado, dois minutos de carro, dez, se for a pé.

Sinto a falta dos transportes públicos dos meus tempos de faculdade, das histórias que se desenhavam diariamente à minha volta, da viagem bem aproveitada com um livro ao colo, da paisagem que se desenrolava do lado de fora da janela - encostar a cabeça ao vidro e deixar o filme rodar, quer a cabeça o acompanhasse, quer estivesse a anos luz.

Agora a vida existe encaixotada em horários cirurgicamente calculados, com início às 07:30 e sempre em fast forward, mas a teimosa que em mim persiste, arranja projectos, objectivos, iniciativas, colaborações e metas; rebenta o horário, espatifa o espartilho, desarranja as horas de sono e grita por uma sesta nas horas de trabalho.

Hei-de chegar a velha e, como todos, conseguirei, finalmente, dormir apenas quatro ou cinco horas, mas, até lá, na ternura do quarenta, durmo mal e porcamente e esforço-me por espevitar o sono durante o dia que nunca chega para tudo, sobrando, pois a noite, onde as gatas são pardas, as palavras mais soltas e o escurinho (que não é do cinema) embala histórias, afazeres, projectos adiados e listas de compras; a propósito, falta-me o leite e legumes para sopa.

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By Leonor às 00:02
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Domingo, 21 de Setembro de 2014

Matilde

Matilde Campilho - Jóquei

By Leonor às 21:40
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Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

The New Yorker

 

Sempre fantásticas, actuais, inovadoras e surpreendentes, as capas do The New Yorker.

Seguir o link da imagem para mais informação sobre a ilustração e o ilustrador.

By Leonor às 10:16
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Americanah

"Porque é que as pessoas perguntavam «sobre o que é?» como se um romance tivesse de ser só sobre uma coisa?"*

É verdade - é tão verdade - e convenhamos, quão fraquinho e pobre, é o romance que o seja só sobre uma coisa.

Americanah não é só um romance sobre a raça, ainda que seja bastante um romance sobre a raça, mas, ao atravessar esse campo, Chimamanda Ngozi Adichie, semeia outros temas, como o sonho, a ambição, o amor, o desejo de se ser mais, a estranheza de se ser estrangeiro, o crescimento, a subtileza frágil e espinhosa dos sentimentos, as culturas, a identidade. 

Será que sorrimos ao olhar para o nome da autora inscrito na capa do livro? Tivemos de o ler duas vezes e pensamos com os nossos botões, «que nome tão africano?» Surpreendemo-nos com a beleza da fotografia da contracapa e exclamamos «que preta bonita?». E nós, portugueses do século XXI, que agora conhecemos a necessidade de deixar para trás um país que afoga os nossos sonhos em desesperança, será que sabemos realmente o que é sentirmo-nos estrangeiros?

Este, é um livro que nos arranca à forma confortável como olhamos e sentimos a humanidade e a identidade. Que lugar tão liberalmente comum, esse, de responder que «não há raças e que a única raça é a raça humana»; tão politica, social e intelectualmente correcto. Mas será verdade? A autora relata com uma lucidez implacável o facto de nunca ter sentido a questão da raça, até ter saído da sua terra natal, do mesmo modo que nunca mais a voltou a sentir a partir do momento em que regressou. Que estranha universalização é esta afinal? Será que o contrário é também verdade? Pergunto-o honestamente - porque é impossível não o fazer depois de ter lido este livro - será que nós, brancos, carregamos em nós, nos confins do nosso código genético, algo que nos faz sentir superiores ao ponto de não descobrirmos a raça branca no momento em que temos de viver num país de negros? Não sei, não tenho resposta para isto e confesso, jamais, em momento algum, considerei existir em mim um grão sequer de racismo.

É atordoante pensar estas questões, sentir os alicerces daquilo que nos define a tremer um pouco.

Lembro-me de, há uns anos, me ter cruzado num casamento com um preto especialmente bonito. Achei-o deslocado e, com toda a ligeireza da boa vontade, fui meter conversa para o integrar numa mesa. Foi ele que me mostrou, com elegante condescendência, que não precisava de mim para nada, que estava ali, tal e qual como eu, e, com uma presença serena e uma nada subtil cabeça de rastas, arrasou o mulherio da festa. Lembrei-me, várias vezes, desta situação ao ler este livro. 

Vivemos tempos de globalização e, no entanto, estas questões estão pouco resolvidas nesse cenário. Quem sai do seu País Natal, começa por sentir a solidão da deslocação, depois, há o desejo de integração e, finalmente, no fim da linha, há, quase sempre, a estranheza do regresso, quando a experiência estrangeira já modificou a identidade que era.

Este é um livro enorme que fala ainda de amor, que se assemelha um pouco a essa sensação de se estar em casa, na pele certa, no dialecto correcto, no País de origem que nos enlaça no silêncio de um reconhecimento íntimo, que se coloca na vida daquele modo que reconhecemos como nosso, que nos conhece as ruas, as esquinas, o tempo e que nos diz "entra" e nós entramos, porque ali não há fronteiras.

 

(*Americanah)

By Leonor às 22:16
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

Escrever ou desenhar a natureza na própria poluição, é uma mensagem muito forte!

By Leonor às 09:16
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Setembro

 

[Imagem, ontem, em Lisboa, via Instagram]

Eu gosto do mês de Setembro; é o mês que marca o final das férias e, quase sempre -dizem que este ano não será assim - a época em que, aos poucos, os dias vão refrescando. É também o mês em que regresso ao trabalho, alegadamente, mais descansada e com a cabeça arejada. Este ano, o mês de Setembro começou com a minha única e fundamental plataforma de trabalho, o Citius - que, para quem não sabe, é site que nos permite entregar e receber notificações judiciais - sem funcionar durante uns dias e a funcionar mal nos restantes. Não me queixei.

Setembro é também o mês em que me dão ataques de renovação generalizada: da casa, da secretária, do guarda roupa, do corte de cabelo, das rotinas anuais, dos horários de trabalho. Ando a "iogar" como se a minha vida dependesse disso (depende?), ando a controlar o meu horário diário de forma espartana - de ora em diante, acabaram-se dias desorganizados que me obrigam a sair do escritório depois - ou a caminho - da hora do jantar (eu sei que o inferno está cheio de boas intenções, mas não me estraguem o balanço, sim?).

Setembro é ainda o mês em que decido que vou dar asas à criatividade em alguma coisa, mesmo que ainda não saiba qual ela seja; é uma forma de não enlouquecer com o cinzentismo dos meses que se seguem e a rotina dos dias. Ando a pensar em tudo, desde colagens, a temas de escrita e até o tricot - para as meninas que ainda não agarraram nas revistas com as tendências de Outono/Inverno, aqui fica o alerta: as malhas estão em grande, e as sobreposições, e um revival dos anos 60/70, e os veludos, e o verde tropa, e o vermelho (no tom maroon), e as botas altas, e o pêlo, e os sapatinhos ao estilo Mary Jane e, the last, but not the least, os chapéus largos (uma vez mais, à maneira dos anos 60). Pronto está tudo, escusam de comprar a revistinha da moda.

O Instagram é o meu novo vício e não há desafio fotográfico em que não participe. Decidi também fazer um mood board, tenho saudades desse placard de cortiça sempre pendurado ao lado da minha secretária em casa e cheio de imagens que me agradam. Acho que tive um quadro desses durante todos os anos em que vivi em casa dos meus pais e decidi voltar, em suma, está-me a dar um ataque teenager, mas que se dane, deve ser uma daquelas cenas dos quarentas.

Eu e a minha sobrinha começamos a escrever postais uma à outra de cada vez que saímos da nossa Vila; acho que vou alargar a ideia a umas quantas amigas e surpreendê-las com um postaleco de vez em quando, daqueles com imagens turísticas e selo carimbado no canto superior direito.

E é isto, ou talvez não, e ainda haja mais qualquer coisa, mas para iniciar este mês marcante, não está mal.

Escusado será dizer que marimbo completamente nas resoluções de ano novo; Setembro é que é.

By Leonor às 12:43
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