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Outro Sentido

Outro Sentido

Domingando

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Joseph Lorusso - Sunday afternoon

Voltar às origens

Porque o nosso corpo foi originalmente desenhado para fazer parte de um ecossistema com o qual deviríamos viver, naturalmente, em harmonia. 

Não são balelas para ouvidos alienados e extremistas ou facções espiritualizadas da nossa vivência que nos levem a viver descalços e a cantar mantras enquanto cozinhamos o jantar em fogo de lenha e panela de barro. Não era mau, mas não cheguemos a tanto; pequenos passos, produzem grandes resultados.

Falemos antes de gente do nosso século, que usa os neurónios que lhe sobram ao serviço de sinapses elementares e perguntas fundamentais, como, porque é que anda um quarto do mundo depressivo, outro quarto doente, outro quarto alérgico a alguma coisa e outro quarto obeso? Porque é que é tão complicado alterar este estado de coisas? Porque é que é cada vez mais difícil combater doenças?

Voltemos pois ao desenho genial do corpo humano, minuciosamente concebido para viver no mundo em que foi colocado; não o de hoje, mas aquele outro, o original.

Voltemos àquilo que esse ser humano comia, àquilo que fazia diariamente para obter comida, àquilo com que contactava - ar, terra, água, plantas, animais; uma vez mais, não os de hoje, mas o de então - ar não poluído, terra não contaminada, água limpa, plantas não manipuladas ou não dobradas a litradas de pesticidas, animais não alimentados pelo espaço necessário à cabeça, com toda a sorte de comida artificial e bombeada de hormonas ou químicos.

Voltemos, pois, às origens.

Pensemos um pouco.

Este filme é obrigatório para quem não quer viver de olhos vendados ou com palas - sim, palas -, daquelas que aprendemos a colocar nos animais para eles não olharem para o lado e seguirem em absoluta carneirada às ordens de interesses maiores, os tais que, dizem, fazem girar o mundo.

O filme Origens, é tão obrigatório que estará gratuitamente disponível online durante algum tempo e os seus produtores, acham que a mensagem é tão importante que pedem que o partilhemos, que o divulguemos, que lhe púnhamos os holofotes em cima.

Os paradigmas não são coisa estática e podem mudar, só não vale a pena ficarmos de braços cruzados à espera que o vizinho mude antes de nós.

Eu vi, ouvi e assimilei. Muito do que ali está já faço com consciência de mudança, outro tanto passarei a fazer.

VALE A PENA VOLTAR ÀS ORIGENS.

 

Da criatividade

"How creative the unconscious can be if one allows it to work spontaneously"

Anais Nin, in On writing

Transparências ou espaços que me fascinam.

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Espectáculos de excelência da temporada 2014 do Teatro Camões.

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 [Tempestades]

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[Spirit] 

 

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[Mozart Concert Arias]

Bluurf ...

Let's read the book with no pictures...

Batman vs Chuckie

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Quando lhe apareço à porta da sala, por volta das 17:30 de cada quinta-feira, encontro-o sempre sentado ao lado da Sara que ele protege e acarinha como a menina dos seus olhos. Às vezes, estão, literalmente, no escurinho do cinema, a partilhar bolachas e a ver filmes (esta semana era a Rapunzel), outras, estão a brincar a qualquer coisa semelhante a uma família, numa misturada de bonecas, carros e peças de jogos. Quando me vê, levanta-se de um salto e dispara a contar as novidades, a falar do desenho que fez ou do dinossauro perdido no fundo da mochila que é imperioso assegurar que segue com ele para casa. Depois, entre o casaco, os recados, o saco, os bonecos e o até amanhã largado à pressa para dentro da sala, lá seguimos rumo ao carro da tia que ele descobre num relance de olhos.

- Agora vamos onde, tia? 

- Agora vamos buscar a mana.

- Àquele sitio onde ficamos à espera?

- Sim, Zé, àquele sítio onde ficamos um bocadinho à espera.

Porque nesse sitio, onde ficamos à espera os dez minutos que demoram até ao final da aula da mana, são os dez minutos em que ele conta tudo e pede fotografias e faz perguntas.

Na quinta feira passada - debaixo de uma monumental carga de água - reclamava que não tinha guarda chuva:

- o Tiago tem guarda chuva, o Phoenix tem guarda chuva, a Sara tem guarda chuva mas eu não tenho guarda chuva, tia!

A tia - já a fazer contas ao dito -, lá diz que é preciso arranjar um guarda chuva ao petiz, mas que tem de ser um guarda chuva estiloso.

- Já sei tia, quero um guarda-chuva do Batman, eles têm um guarda chuva do homem aranha e do cars, mas um guarda chuva do batman é que é fixe.

- Boa, Zé, super cool, um guarda chuva do Batman!

- Eu já não me chamo Zé!

(pausa para assimilar a informação)

- Não te chamas Zé? (tia incrédula)

- Não, eu agora chamo-me Chuckie (tia aterrorizada a visualizar boneco  maléfico sentado na cadeirinha, empunhando faca de lâmina afiada).

- Oh, Zé que horror, Chuckie é horrivel, Zé Maria é um nome tão giro!

- Não é nada horrível, Chuckie é muito mais fixe, agora quando me chamares Zé eu não respondo, só quando disseres Chuckie.

(tia conta até dez)

- Hum, está bem Zé, tu é que sabes.

(silêncio)

- Já sei, vamos fazer um filme, e assim tu podes dizer a toda a gente como é que queres que te chamem e depois a tia manda o filme ao pai, à mãe, à mana, aos avós, às tias ...

(pausa silenciosa para digerir a sugestão)

- Olha tia, vem lá a mana.

Sobre a conversa de termos um dom e a sorte de vivermos na sua consciência e utilização; há quem lhe chame génio.

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[Magritte]

"A voluptuosidade é a cara, a facies da felicidade. E todo o ser é feliz quando satisfaz o seu destino, isto é, quando segue a encosta da sua inclinação, da sua necessidade essencial, quando se realiza, quando está a ser o que é na verdade. Por esta razão Schlegel dizia, invertendo a relação entre voluptuosidade e destino: «Para o que nos agrada temos génio». O génio, isto é, o dom superlativo de um ser para fazer alguma coisa tem sempre simultaneamente uma fisionomia de supremo prazer. Num dia que está próximo e graças a uma transbordante evidência, vamo-nos ver surpreendidos e obrigados a descobrir o que agora somente parecerá uma frase: que o destino de cada homem é, ao mesmo tempo, o seu maior prazer".

José Ortega Y Gasset, in O que é a filosofia?

Quando uma obra de arte ganha vida

E se uma obra de arte ganhasse movimento, vida e história e nós entrássemos por ela adentro como numa sala de cinema? Que maravilha ...

Companhia de pequeno almoço

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[Montserrat Gudiol]

Porque é que escolhemos certas imagens em vez de outras? Porque é que, numa galeria de arte, torcemos o nariz a um quadro e ficamos deslumbrados com outro? 

Cada obra transmite algo com que nos identificamos ou não. Podemos admirar a técnica artística, mas a estética, essa, é pessoal, e a mensagem que um lê, pode ser diferente daquela que o olhar vizinho interpreta e ambos podem nada ter a ver com aquilo que o pintor quis dar.
Ao olharmos, por exemplo, para um quadro de Vermeer, podemos ver apenas a representação, a magia dos jogos de luz, a mestria das sombras, dos detalhes, das cores. Mas se lermos um pouco sobre a pintura da época, percebemos que aquelas personagens nunca são apenas gente captada num instante; há, quase sempre, uma mensagem que os olhos daquele tempo sabiam ler, mas que os nossos, habituados que estão a legendas, têm de procurar, aprender e interpretar.
Esse, é um trabalho que gosto de fazer, buscar o sentido de um quadro; a leitura íntima que é minha, a mensagem pessoal do artista e aquilo que outros olhos vêem.
Hoje, logo de manhã, entre o galão e duas fatias de pão de mistura com queijo flamengo, tropecei nesta obra de Montserrat Gudiol. É um daqueles quadros em que me fixo imediatamente à procura de sentido, porque a estética e o ambiente em que se desenvolve, têm já tudo a ver comigo. Começo a pensar se o silêncio que lá está tão bem pintado, existe dentro da mulher de joelhos, quase caída, uma mão à frente e outra a amparar as costas. O conjunto parece transmitir serenidade, até o rosto dela  se mostra tranquilo, mas é a postura do corpo que me coloca a pergunta. Uma mulher calma que se prostra caída de joelhos ao chão, terá uma qualquer tempestade interior que a lança nessa atitude, num local isolado, cheio de quietude. Quantas vezes procuramos lugares assim, para estarmos, simplesmente, virados para dentro, sozinhos, desprendidos, em sigilo.