Fui até Águeda fazer um julgamento de cinco minutos e já estou de volta.
Fotos tiradas do terraço do Hotel às 08:30 da manhã, com um frio danado e uma manhã a anunciar chuva.





"O amor é aquela condição na qual a felicidade da outra pessoa é essencial para ti próprio"
Robert Heinen, em Um estranho numa terra estranha.
[Não consigo deixar de sorrir ao facto de que no livro, esta frase é dita por um extra-terrestre. É que só mesmo uma criatura de outro mundo ...]

Gosto mais do título em Inglês, "THE BEGINNERS". A traduçãozinha comercialmente apelativa de "Assim é o amor" não encaixa. O filme não fala de amores mas sim de princípios, de recomeços, de oportunidades que surgem com o fim de alguma coisa e da inexperiência dessa vivência.
Um pai que esteve casado 44 anos e que após a morte da mulher se assume homossexual, recomeçando aos 75. Um filho que viveu uma vida inteira longe de um pai ausente e que, à beira da morte deste, reconquista uma aproximação em verdade. Um homem que aparece marcado pelo falhanço de relações amorosas e filiais e que se encontra naquele patamar de admitir ou não a possibilidade de outra.
O cenário é o de uma doença terminal mas o contexto é de esperança, de oportunidade, de memória e de construção. A estrutura do filme é pautada por fotografias que situam o tempo, por cães que reconhecem até 150 palavras e instantes em flashback que nos fazem questionar porque é que guardamos certos detalhes de instantes passados, cores, palavras, gestos, hábitos.
No desenrolar da história, nota-se uma marca latente de solidão que ora avança, ora recua, como numa luta, e há uma cena deliciosa que se repete três vezes com três personagens diferentes (um cão, uma mulher e um homem). Nessa cena alguém convida outro a entrar na sua casa e faz-lhe uma visita guiada ao espaço da sua intimidade. Isto é a sala, isto é a casa de jantar, isto é a cozinha, isto é o meu quarto, estas são as minhas roupas, as minhas fotografias, como a dizer "adentra-te, leva daqui a minha solidão". Há quem tenha esta natureza solitária e viva neste duelo, sem saber se há-de abraçar ou combater o seu isolamento. Quem assim é pode ancorar ou escolher recomeçar. "People like us ... half of them think that things will never work out, the other half believe in magic".
A qualquer momento podia saltar o David Bowie a cantar "we´re absolut beginners" mas talvez se caísse no cliché óbvio e numa banda sonora que cortaria a linha de continuidade que nos liga ao passado. A musiquinha vintage prende-nos aí.
Principiantes é o que somos quando nos arrancamos aos nossos lugares de conforto, quando nos damos a oportunidade dorida de recomeçar, de encarar outra hipótese, de chutar a solidão para canto mesmo que até ali fosse boa companheira. "Beginners" é o que somos, quando arriscamos o salto no vazio de dizer a outro: "you point, I drive".
Anna: Why do you leave everyone? Why did you let me go?
Oliver: Maybe it´s because I don´t really believe that it´s going to work and than I make sure that it doesn´t.
Há espaços que parece que têm o nosso nome gravado nas paredes e este apartamento tem o meu.
A luz, a janela, o gato, o ar meio dandy mas impecavelmente arrumado, as plantas, a estante de livros, o gira discos à antiga, as velas, a mistura do moderno e do vintage ...
Eu podia ser feliz aqui.




[via]

Esta blogger que por aqui tem andado ausente por motivos de força maior (voltarei a isto, prometo), ontem apareceu ali, numa modesta contribuição ao Folhas de papel, um blog sobre leituras tãããããoooooo cool!
Bem haja!

Enquanto se preparava para o seu papel no filme Taxi Driver, Rober de Niro não se fez por menos e guiou MESMO um taxi pelas ruas de Nova Iorque!
[via]

Orientação!?!?!?! ... Yeah, right!
O ano de 2011 revisto em foto reportagem: AQUI.

É um ano novo, 365 dias por estrear, um tempo longo aberto ao percurso. Por muito que a razão nos diga que se tratam apenas de mais uns dias que se sucedem a outros que terminaram ao mesmo ritmo, temos já incrustada em nós a ideia - porventura saudável - de um marcante recomeço. O dia 1 de Janeiro deixa de ser mais um dia no calendário para passar ser um botão de restart. Abre-se uma nova página num caderno em branco, com a capa imaculada e a cheirar a novo, uma tela disponível a intenções que neste final de ano assumem a determinação de "resoluções". E assim, comem-se as passas, batem-se as flutes, abraçam-se os que nos estão próximos e procuram-se os outros que não estão, e no nosso íntimo, no meio da folia, há um chip de esperança - que vem implementado de série - que faz soar o seu alarme: "Este ano eu vou", "Que o ano novo te traga", "Este ano vai", "É desta que".
Um (re)começo é sempre um nascimento, um florir de vida nova necessariamente vincado no tempo, é naquele dia e à aquela hora, fica registado. O impulso é mais forte do que nós, corre-nos nas veias, é emocional e, nessa medida, absolutamente vital. A verdade é que, de forma mais ou menos consciente, assumimos dentro de nós (ou com outro), um compromisso que nos orienta como uma bússula, é por ali, e apontamos o azimute.
Gosto de encarar o ano novo assim, talvez uma inocência sonhadora, mas lá está, pelo sonho é que vamos ...








